Entrevista com Roldenyr Cravo

Delegado arregaça as mangas e afirma que vai realizar uma prisão por semana
“ A vagabundagem vai "colocar as barbas de molho"”

Reportagem: Telma Flora
À frente da Delegacia de Cabo Frio (126ª DP) desde o dia 15 fevereiro, o delegado Roldenyr Cravo, de 49 anos, descendente de uma mistura de italiano, por parte de pai e afro-luso-brasileira,
de mãe, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Esse sagitariano, segundo ele, no melhor exemplo do mitológico centauro Quíron: força, sabedoria, determinação, sensibilidade, paixão, coragem e alegria, é formado em Direito e pós-graduado em criminologia, com especializações na área policial e jurídica.
- Sou delegado de polícia por vocação, porque sempre odiei covardia e maldade, dispara Roldenyr que também trabalha como gestor de segurança pública.
Após trabalhar 11 anos como escrivão de polícia (concurso publico em 1983), Roldenyr decidiu que
estava maduro pra avançar nessa direção.
- Fui nomeado em 1994, após prestar um concurso que iniciou em 1991 e se arrastou finalizando em
1993, portanto, tenho 17 anos de delegado, além dos 11, como escrivão.
Sua primeira lotação foi em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, como adjunto. Como titular fez a
opção de ficar no interior para estar mais próximo dos três filhos, que ele identifica como dois “heróis”
de 13 anos e uma “tsunami” de 21.
Modesto em suas colocações, Dr. Roldenyr já titularizou as delegacias de Sapucaia, Paraíba do Sul,
São José do Vale do Rio Preto, Paraíba do Sul (de novo), Valença, Piraí e agora Cabo Frio,
acumulando prêmios e títulos ao longo dessa trajetória, como a ‘Medalha Fidelidade’, concedida  aos
delegados que mantém uma estabilidade de perfil durante determinado período de tempo.
- Alguns elogios escritos dos chefes de polícia, alguns títulos de cidadão honorário. Nada muito relevante.
Mas, quando se trata de falar de sua carreira, o delegado é taxativo.
- Minha carreira sempre foi pautada na dedicação, na legalidade, na transparência, na integração,
na superação, no empreendedorismo, na interação social, no respeito ao cidadão, e muito, mas
muito profissionalismo.
O delegado recebeu a reportagem da Visão La Flora em seu gabinete, quando falou sobre a difícil
tarefa de comandar uma delegacia. Ao ser questionado se alguma vez se sentiu ‘encurralado’,
sem saber o que fazer, ele rebateu demonstrando ser uma pessoa de muita fé e temente a Deus.
- Já passei por algumas boas situações difíceis, pessoalmente envolvido ou por responsabilidade
profissional. Mas em todas elas O Senhor Deus me estendeu Sua Mão Misericordiosa e me livrou
de todas. Se pudesse resumir numa frase, seria o texto da Bíblia de Filipenses, capítulo 4,
versículos 11 a 13.

O senhor teve alguma experiência bizarra?
-
Bizarro, quando fui escrivão em Itaipava, foi ter atendido Antonio Carlos Jobim, e
quando o homem me perguntou se eu o conhecia, disse que não, e ainda fiquei achando que
era um "bebum" de fim de plantão... rs.

Alguma vez foi agredido ou ameaçado por algum detendo?
- Quando investigava uma quadrilha de roubo de residência, foram atrás de mim no
local próximo de onde eu moro. Tive que pegar mulher e a filha, e me esconder em casa de
parentes, até que consegui prender todo mundo. De outra vez, ameaçaram seqüestrar minha
filha. De outra vez prendi pessoalmente em flagrante um ladrão de carros. Na ocasião tive
que atirar nele. Ele sobreviveu, foi condenado, mas saiu. Depois ficou mandando recadinho
 pra eu me cuidar que agora era a vez dele. E foi mesmo, porque eu o achei primeiro... rs.

Qual foi o crime de maior repercussão que o senhor já trabalhou?
- Roubo e cárcere privado na fazenda do Dr. Ricardo Teixeira, presidente
da CBF.

Faça um balanço do seu trabalho desde que assumiu a Delegacia de Cabo Frio?
-
Esse trabalho ainda esta sendo feito. Mas, parcialmente temos um porta-retrato do que
é a 126ª hoje: condições humanas e materiais absolutamente ruins. Em contra partida recebi
toda atenção e carinho do atual prefeito e sua equipe que já vão arregaçar as mangas pra virar
essa pagina triste.
Como andam os inquéritos?  Paralisados ou em investigação?
-
Estão sendo administrados agora com critério, inteligência e profissionalismo. Com
a parceria do Ministério Público, vamos eliminar aqueles casos que não há mais o que ser
feito pelo tempo transcorrido (e a lei diz quanto tempo), ao mesmo tempo em que vamos
dinamizar os atuais registros para que se transformem em resposta rápida. Vamos ainda
agilizar casos chamados de "repercussão". Para isso fizemos uma redistribuição de
funcionários e otimizamos o trabalho com ações práticas e eficientes.

Fale sobre o aumento do índice de crimes na região
- Posso assegurar que os índices de crimes são em grande maioria fenômenos sazonais, com
picos em fevereiro, e outubro. Já estamos desenhando uma estratégia para solucionar isso.

Como é o trabalho da Polícia Civil junto com a Polícia Militar e a Polícia Federal?
-
Integração total, principalmente com a PM e a GM que estão mais próximas no
dia-a-dia.

As diligências são feitas em parcerias?
- Sempre que possível. Por exemplo, já ressuscitamos a operação duas rodas, que tem a
participação necessária dessas instituições.

Quais as maiores dificuldades que o senhor já está enfrentando na 126ª DP?
-
Não enfrento mais, porque todas elas já tiveram seu encaminhamento, expressivamente com o
prefeito Marquinho que "abraçou" nossas sugestões e "bateu o martelo" para o fim das deficiências,
que sempre foram de conhecimento público.

Há carência de policiais?
- Tivemos que contribuir expressivamente para a criação da 132ª DP de Arraial do Cabo, mas a
chefia de Polícia Civil estará tomando as providencias para regularizar o efetivo. Ainda assim,
não é nada que "engesse" a unidade. Nada que não possamos administrar.

Há possibilidade de novos concursos para suprir essas dificuldades?
- Sempre há. Penso que a mídia poderia dar uma contribuição expressiva neste ponto, fazendo
divulgações massivas dos concursos a fim de incentivar os vocacionados desta região, que, ao final
terão prioridade para serem lotados aqui.

A repressão aos criminosos na capital faz com que migrem para o interior?
-
Até a presente data não temos qualquer informação oficial nesse sentido.

Alguns crimes em Cabo Frio nunca foram solucionados...
- Isso depende muito de uma análise de cada caso, aliado ainda ao conhecimento do momento
histórico-técnico-administrativo da ocasião em que ocorreram.

Na sua visão, qual o perfil do município?
- O mais recente pacote de analise criminal da 126ª DP, que me foi gentilmente enviado
Pelo Instituto de Segurança Pública, órgão da secretaria de segurança do Estado, revela
que a sazonalidade provocada por certos eventos culturais é o acionador do "gatilho" que
dispara o pico de criminalidade nessa região, em especial Cabo Frio. Minha intenção é
estabelecer uma nova proposta de estratégia de controle social, a partir de uma atuação
conjunto-integrada entre os operadores prestadores de justiça e segurança pública. Existe
um órgão já instituído em Cabo Frio chamado GGIM (Gabinete de Gestão Integrada
Municipal) que é o fórum perfeito para isso.

O senhor é a favor da unificação das Policias Militar e Civil. Por quê?
- Há um equívoco histórico onde bipartiram as instituições policiais de acordo com os
momentos em que se presta a segurança pública: prevenção/repressão. Na verdade, são duas
faces de uma mesma moeda, de um mesmo bastão. Por isso sou a favor que se tenha um único
órgão de policia estadual para cuidarem dessas atividades, e também um órgão de policia
municipal, para se ocuparem dos chamados delitos de pequeno potencial ofensivo, com foco
na mediação e policiamento comunitário. Alias essa é à base do plano nacional de segurança
pública elaborado sob o governo Lula.

Qual a vantagem e a desvantagem em ser delegado de uma cidade pequena?
- Interagir, conhecer e observar melhor. Não vejo desvantagens, porque atualmente a Chefia
de Polícia possui critérios diferenciados de avaliação das autoridades policiais nessas
situações distintas.


Um bate-bola com o delegado:
Deus: Tudo.
Família: A base do que eu sou hoje e do que meus filhos serão.
Religião: Creio em Deus, Oni-Poderoso, como Criador do mundo e Pai, e em Jesus Cristo,
Senhor e Suficiente Salvador das nossas Vidas (pelo menos da minha, rs.)
Time: Morning
Hobby: Tudo que me dá prazer
Animais: Cavalo, águia, cachorro
Esportes: Musculação e natação (to meio afastado do Hapikido por falta de opção)
Alimentação: seis refeições/dia
Prato preferido: Pavê de banana com cobertura de coco (só fim de semana)
Escola de samba: Não ligo, assim como não ligo pra futebol porque pratiquei handball muitos
anos e fui atleta da seleção estadual.
Terapia de relaxamento: Musica e filmes.
Modo de vida: Simples e anônimo.
Uma meta: Mostrar que a Polícia Civil é capaz de influir positivamente na vida das pessoas, assegurando bem-estar, confiança e proteção.
Um sonho: Ver meus heróis (filhos) crescerem, se formarem e poder curtir os netos.
Se defina em uma frase: Sou Guerreiro

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