O que elas pensam II

A Visão La Flora dá continuidade, nesta semana da mulher, a um bate-papo com elas que em sua maioria administram mais de 90% dos funcionários das prefeituras e estão à frente de secretarias e órgãos de prestígio. Elas assessoram diretamente os prefeitos. São bonitas, elegantes, simpáticas e competentes. Algumas perderam o namorado, outras tiveram turbulências no casamento por causa do cargo. Uma parte não tem tempo para ter filhos e muito menos animais de estimação. Elas são secretárias, presidentes, diretoras, assessoras especiais e procuradora-geral deste País.
Apesar de sofrerem na própria pele a discriminação, elas encaram os problemas sem medo. Sensíveis por natureza recorrem a algumas táticas para não demonstrarem fraqueza na frente dos homens. Vão para casa, conversam por e-mail, choram no banheiro, baixinho para ninguém perceber.
Parabéns a todas nós mulheres. Apesar de dizermos que o dia da mulher é todos os dias, nós guerreiras merecemos um dia especial pela dedicação que temos por tudo que fazemos; que todos os homens tivessem um pouco da dedicação da mulher.
Parabéns a todas as mulheres e em especial as que estão aqui na Visão La Flora.

Qual é o verdadeiro papel da mulher na sociedade?
Luciane Gomes: Sem dúvida, a mulher tem um grande papel a cumpri na sociedade. Sob o ponto de vista profissional, a mulher que deseja competir no mercado de trabalho deve procurar agir com excelência na profissão escolhida. Além disso, deve atuar com responsabilidade, procurando acima de tudo construir uma sociedade mais justa e solidária.
Berenice Borges: Olha, eu não sei qual o papel da mulher na sociedade. Existe uma sociedade formada por homens e mulheres, ou seja, por seres humanos. E é assim que tem que ser. Há muito tempo as mulheres batalham por seu espaço e, pouco a pouco, vêm conseguindo. Minha avó, em 1914, era uma mulher já ocupando um lugar na sociedade. Era sufragista, não era casada, mas tinha 4 filhos com o homem que amava, era jornalista, escrevia para o Jornal do Brasil, o Globo, o Correio da Manhã, falava sobre a guerra, sobre política, sobre filosofia, foi fundadora do Rosa Cruccis no Brasil, discutia com os intelectuais da época como Humberto de Campos, Coelho Neto, Herbert Moses, mas com certeza não se preocupava se fazia parte de uma sociedade ou não. Simplesmente ocupava o lugar que ela achava que era dela.
Rosaura Blandy: A mulher, independentemente de seu nível cultural ou social, vem se destacando como uma cidadã consciente de seus direitos e da sua igualdade, como uma trabalhadora capaz e competitiva, como uma formadora de opiniões e ainda como um ser humano divinamente diferenciado e acima de qualquer pré-conceito. Portanto o seu papel na sociedade é o de ser mulher, simplesmente m u l h e r! .Somente isso basta para que o seu papel seja respeitado, valorizado e dignificado na sociedade.

Em sua opinião as mulheres faturam mais em seus negócios do que homens?
Rosaura Blandy:
No mundo dos negócios a mulher tem toda a capacidade de ganhar mais do que os homens, varias são as áreas onde as mulheres vem se destacando consideravelmente. Entretanto, quando disputa um salário com colegas de trabalho, lamentavelmente o salário de um homem será maior do que daquela mulher, mesmo que sua capacitação ou formação seja a mesma. Mas acredito que em poucos anos essa diferença não mais ocorrerá.
Luciane Gomes: A meu ver, de um modo geral as mulheres ainda faturam menos que os homens em seus negócios, mas esse patamar vem mudando, na medida em que a mulher passa a ganhar a confiança do próprio homem no mercado de trabalho, ocupando posições de maior destaque e conseqüentemente de maior responsabilidade também.

As funções tradicionalmente masculinas vêm sendo substituídas por mulheres com sucesso. Qual a sua opinião?
Luciane Gomes:
A mulher, cada vez mais, vem se posicionando na sociedade. Seja como estudante em universidades, como profissional nas empresas privadas, ou ainda atuando em cargos públicos, a mulher passa a ocupar espaços antes ocupados exclusivamente pelo homem. Essa conquista demonstra sem dúvida sua capacidade de equilíbrio, determinação e auto superação.
Rosaura Blandy: Penso que a tendência será a igualdade no mercado de trabalho, igualdade verdadeira, pois a mulher é mais decidida, mais política, mais lutadora e persistente, além de gostar de transpor limites por sua própria natureza. Conheço uma motorista de ônibus que me confidenciou ser respeitada profissionalmente por seus colegas homens e admirada por cada passageira que entra no seu ônibus, recebendo delas palavras de incentivo e orgulho.

Conhece histórias de sucesso de mulheres empreendedoras? Pode citar pelo menos uma?
Berenice Borges:
As empreendedoras somos todas nós- mulheres que lá no interior da Bahia se juntam em cooperativas para fabricar um artesanato típico da região, que amassam a farinha para fazer beijús, as mulheres que dirigem grandes empresas, as que fazem bolos e comidinhas para vender as que pilotam aviões ou trabalham como policiais, as que no Rio, em São Paulo ou qualquer outra cidade brasileira estão construindo com suas mãos o futuro de suas famílias. Todas são empreendedoras.

O que tem a dizer sobre a Lei Maria da Penha?
Berenice Borges: A Lei Maria da Penha é o que faltava para despertar toda essa sociedade de homens e mulheres para um problema muito maior do que simplesmente ser homem ou ser mulher. O problema da violência que já se tornou uma epidemia. E é preciso tratar com muito cuidado e respeito essa parte da sociedade violenta. Respeito para atingir o mais profundo do problema desses seres, e cuidado para não transformar essa violência em coisa corriqueira e aceitável. A mídia tem responsabilidade nisso quando, por vezes, transforma criminosos em astros do dia. Criminosos, sejam assassinos, estupradores, pedófilos, não têm que ser nomeados. Tem que ser anônimos tem que receber as penas mais duras à disposição da justiça e não tem que aparecer nos jornais, nas TVs, etc.. Lei Maria da Penha tem nome de mulher, serve para proteger as mulheres da violência doméstica ou na sua área de trabalho, mas tem que ser usada com rigor. Mas será que esta tendo o rigor necessário?

Este é o primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff no mais alto cargo do país. Tomando este e tantos outros exemplos espalhados Brasil afora, a mulher é posicionada como protagonista de suas conquistas e do exercício dos seus direitos?
Rosaura Blandy:
Dilma Roussef é conhecida no meio político como uma mulher determinada, exigente, perfeccionista, bem formada e informada, além de outros predicados característicos não só dela, mas das mulheres em geral. Sua historia de luta e conquistas refletem, dentro de cada universo feminino, a inquestionável capacidade da mulher em lutar incansavelmente por seus direitos e graças a elas, nossos legisladores, homens em sua maioria, fizeram constar na nossa Constituição Federal de 1988, mais especificamente em seu art. 5º. Parágrafo 1º., o seguinte : homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.

Afinal, o que a mulher tem a comemorar em sua data?
Rosaura Blandy:
Na minha opinião a mulher ainda não tem muito a comemorar no dia 08 de março, pois ainda é necessário muita luta para que seus direitos de igualdade sejam realmente respeitados e reconhecidos. Ainda hoje, vemos homens (filhos, maridos, irmãos, etc.) tratando a mulher como aquela que tem que lavar, passar, cozinhar, “cuidar deles”. A discriminação começa dentro de cada, está no dia-a-dia de toda mulher.
Berenice Borges: Comemorar um dia especial das mulheres, para mim, já é discriminação. Por que os homens não têm o dia Internacional do Homem? Dia da Mulher é todo dia, quando elas cuidam da sua casa, dos seus filhos, da sua profissão, se projetam no mundo.

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