Representação contra Bolsonaro

Deputados prometem por declarações racistas


(Foto:José Cruz/Agência Brasil)

Os deputados federais do Rio de Janeiro Brizola Neto (PDT) e Jean Willys (PSOL) prometem entrar com representação na Câmara dos Deputados contra Jair Bolsonaro (PP-RJ). O motivo são as declarações concedidas por Bolsonaro ao programa CQC, da TV Bandeirantes, associando a cantora e apresentadora, Preta Gil, e as negras de modo geral à ideia de promiscuidade.
A informação foi publicada no Tijolaço, blogue de Brizola Neto. Willys seria o encarregado de redigir a representação, cujo teor não foi antecipado. Não foi divulgado ainda se a medida envolverá o Conselho de Ética da Câmara.
Em seu perfil no Twitter, Jean Willys confirmou que a ação será encaminhada ao Conselho de Ética da Câmara. Junto dele e de Brizola Neto, 15 deputados devem subscrever a ação. Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) e Ivan Valente (PSOL-SP) estão entre eles.
Na entrevista, veiculada na segunda-feira (28) ele afirmou, ao responder a uma pergunta da cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil, sobre o que ele faria se o seu filho se apaixonasse por uma negra. Bolsonaro respondeu: "Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados, não viveram em ambiente como, lamentavelmente, foi o seu."
Bolsonaro disse ainda que não correria o risco de ter um um filho gay, pois seus filhos tiveram "uma boa educação, com um pai presente". Ele também afirmou que não participaria de um evento homossexual porque, segundo ele, não participaria de evento que promovesse os "maus costumes (sic)".
Em entrevista ao Terra Magazine, nesta terça-feira (29), o deputado tentou explicar-se. "A última resposta está causando problemas, eu sei disso. Mas você pode ver que a minha resposta não se encaixa na pergunta, quando falo em promiscuidade no final... Eu não devo ter entendido, ou a pergunta foi outra. Mas não vou acusar a televisão. Eu entendi que ela me perguntou o que eu faria se meu filho namorasse um gay", justificou.
"Conversa", escreveu Brizola Neto. "Está bem claro que ele responde à pergunta 'O que o senhor faria se seu filho namorasse uma negra', feita por Preta Gil", acusa.

Pedido

Willys também pede àqueles que se sentiram ofendidos com as declarações de Jair Bolsonaro que enviem manifestações ao e-mail da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (cdh@camara.gov.br).

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