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O Bolo Cultural

Jose Facury Heluy


Muitos companheiros e amigos da área cultural são contra o
desfile de escolas de samba, estar no âmbito da Secretaria de Cultura.
Me junto a eles quando questionam o exagero do investimento à
atividade em contrapartida ao que resta para as outras áreas, mas
discordo quando querem desvalorizá-la.

O desfile de escolas de samba de Cabo Frio, não é uma festa
para turistas e sim um evento da, e para a comunidade que gosta de
samba, presente em quase todas as classes dos habitantes da cidade.
Comunitária, porque a grande festa turista desse tipo de carnaval se
encontra no Rio e a duas horas de Cabo Frio.

Tanto no nível da tradição que hoje em dia se revela a partir
do que acontece na Sapucaí como na quantidade de pessoas envolvidas
para realizá-lo, merece estar sim na Secretaria de Cultura, pois mesmo
que reciclando as alegorias e fantasias se trata de arte. Mais
precisamente a arte transformação escultural. A arte contextual da
dança, do teatro, da música. Já os blocos de arrastão que deveriam
circular em trajetos definidos na cidade, estes sim, seriam eventos
para o turista que, a principio, foge do Rio de Janeiro, para brincar
o carnaval em uma cidade menor.

Então sempre vejo a Secretaria de Cultura e a de Eventos em
parceria fazendo o melhor pela nossa festa carnavalesca. O que precisa
ser considerado na hora da repartição do bolo é como aplicar
corretamente o dinheiro público. Na minha concepção a distribuição
terá que obedecer todos os procedimentos que tenham a ver com a
transparência, a lisura e a democratização da participação através do
lançamento de Editais de Patrocínio Público, para todos os produtos
artísticos da cidade.

Quem quiser brilhar mais a partir deste impulso que procure
parceria da iniciativa privada. A meu ver essa distribuição se daria
da seguinte forma: um terço do orçamento seria para a infra-estrutura
dos espaços públicos (Charitas, Teatro, Espaço Cultural, Morada do
Samba, etc.) da Secretaria de Cultura; um terço para as atividades
voltadas ao carnaval e o outro um terço para as atividades artísticas
variadas.

Com exceção do primeiro um terço, os outros dois estariam
disponibilizados a partir de editais públicos. A Liga geraria os
critérios para nortearem a escolha e os repasses para as escolas de
samba, sob rígida fiscalização. E uma comissão de seleção escolheria
as produções artísticas dignas do outro terço, que merecessem o
impulso financeiro através dos seus projetos.

Se fossemos fazer uma projeção da dotação que hoje esteve
prevista para 2011, em torno de 1 500.000,00 reais, o montante seria
dividido em três partes em igual grandiosidade. Ou seja, quinhentos
mil para cada uma das áreas. Se o setor do carnaval, achar que é pouco
para suprir as suas necessidades, pois que aprenda a gerir aquilo que
lhe caberá com a sua própria entidade enxugando o seu quadro
quantitativo de escolas para que caiba dentro da proposta apresentada
pelo poder público.

E o mais importante dessa proposta é que o Poder Público
deixará de ser o produtor dos eventos, e sim, um zelador dos seus
espaços, um apoiador concreto da produção artística e, principalmente,
um fiscalizador rígido da aplicação do dinheiro da população.

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