Diário de Alexandria

Carlos Sepúlveda



O SILÊNCIO DA LEITURA

Por volta do ano 380 da era cristã, Agostinho, jovem iniciado que se converteria
em um dos pais da Igreja, sob o título de Santo Agostinho, invade a cela onde
seu professor e guia espiritual, Ambrósio, lia.
Espantado, Agostinho percebe que o Santo Padre não move os lábios, nem um som
sequer se faz ouvir de sua boca fechada.
Nas famosas CONFISSÕES, Agostinho registra: "Quando lia, os olhos divagavam pela
página e o coração penetrava-lhes o sentido, e não de outro modo".
Começava neste dia a história moderna da leitura, uma conversa interior, somente
possível no Ocidente, porque acabávamos de descobrir que somos dois: uma pessoa
voltada para o mundo de fora, e outra, cultivada no segredo de nossa intimidade.
O indivíduo ( o não dividido) é uma ficção moderna.
Começava também a inquietante história da consciência.

Na foto, o professor e sua paixão, seu netinho

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