Menores de idade

Escolas de tiro aceitam
No ataque que chocou o País na quinta-feira, o desempregado Wellington Menezes de Oliveira disparou mais de 60 tiros, recarregou nove vezes seu revólver 38 e atingiu 24 adolescentes - 12 morreram. Não há provas de que ele tenha feito treinamento com armas, mas sabia o que fazia.
Ter aulas de tiro no Brasil é tão simples quanto fazer um curso de inglês ou informática. Basta levar RG e CPF no bolso, reservar no mínimo duas horas do dia e fazer a inscrição. Essa foi a informação em sete de dez escolas consultadas pelo Estado: não há necessidade de comprovar antecedentes criminais ou passar por testes psicológicos. Em algumas delas, até menores de idade são aceitos, se acompanhados pelo responsável.
A reportagem fez contato com escolas com sede em São Paulo, Rio, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. As facilidades variam segundo a escola. Em uma academia de Santa Catarina, por exemplo, é possível aprender a manusear uma pistola ou um revólver com R$ 45 - valor suficiente para alugar um box de disparo e garantir um instrutor para noções básicas. Lá você paga por tiro - cada um custa R$ 2. Nada de apresentar ficha criminal ou comprovante de endereço. "O candidato tem só de assinar um termo confirmando que não tem antecedentes", explica o atendente. Menores também são aceitos.
Em nenhuma instituição é necessário ter porte de arma. Na maioria das escolas, os cursos básicos duram de quatro a oito horas, divididas em até três dias, e custam em torno de R$ 500. Ao contrário da escola catarinense, as aulas costumam ter número fixo de disparos - de 80 a 100, em revólveres e pistolas. Uma escola de São Paulo oferece, além dos disparos com esses dois modelos, dez tiros de carabina e dois com uma arma calibre 12. Apenas três escolas consultadas informaram exigir certidão de antecedentes criminais e também entrevistas com o candidato. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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