Massacre: infelizmente é esta a primeira notícia do dia

Rio vela e enterra hoje vítimas da tragédia na escola de Realengo

RioBand
Renata Giraldi
Um dia depois da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio, serão realizados hoje (8) os velórios e enterros de pelo menos oito dos 12 mortos durante o massacre. Por determinação da presidenta Dilma Rousseff, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Educação, Fernando Haddad, além da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, devem comparecer às cerimônias.
Ontem (7) à noite, a Polícia Civil do Rio divulgou lista parcial com os nomes de nove das 12 crianças e adolescentes mortos, com idades entre 12 e 15 anos. São dez meninas e dois meninos, de acordo com os dados oficiais. Relatos de sobreviventes da tragédia afirmam que o atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, mirava na direção nas meninas.
Uma das alunas da escola municipal contou aos policiais que ao ouvir apelos das crianças para não atirar, Oliveira mirava na direção delas, tendo como alvo a cabeça. Os policiais informaram ainda que pelas análises preliminares há indicações de que Oliveira treinou para executar o crime.
Os mortos, cujos nomes foram divulgados após identificação pelos peritos, são: Karine Chagas de Oliveira, 14 anos; Rafael Pereira da Silva, 14 anos; Milena dos Santos Nascimento, 14 anos; Mariana Rocha de Souza, 12 anos: Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos; Bianca Rocha Tavares, 13 anos; Luiza Paula da Silveira, 14 anos; Laryssa Silva Martins, 13 anos; e Géssica Guedes Pereira, 15 anos.
Ainda hoje deve ser concluída a identificação das demais vítimas do massacre ocorrido ontem. A tragédia ocorreu por volta das 8h30, quando Oliveira entrou na escola municipal, onde cursou o ensino fundamental, apresentando-se como palestrante. Depois, ele seguiu em direção às salas de aula e em uma delas, no segundo andar do colégio, atirou na direção das crianças e adolescentes.

Atirador após massacre. 180graus.com

"O Brasil está de luto", diz ministra dos Direitos Humanos

Vladimir Platonow

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, visitou na noite de hoje (7) quatro vítimas da chacina ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio. Os estudantes estão internados no Hospital Estadual Albert Schweitzer e se recuperam dos ferimentos à bala recebidos durante o massacre ocorrido de manhã em sala de aula.
Maria do Rosário afirmou que estava no Rio representando a presidenta Dilma Rousseff. “A nossa presença no Rio é um símbolo da solidariedade e do sentimento do Brasil e da presidenta Dilma, que nos pediu que acompanhássemos este momento e que manifestássemos uma solidariedade ativa e presente a cada uma das famílias, a cada uma das crianças neste momento.” Ela disse que o país inteiro estava de luto.
“Amanhã [8] vamos acompanhar os sepultamentos. Vamos manifestar ao Brasil que isso não pode acontecer, que não é possível termos essa violência absurda contra crianças inocentes que estão na escola. O Brasil está de luto.”
Maria do Rosário disse também que políticas publicas deverão ser pensadas e geridas, futuramente, com objetivo de evitar que tragédias semelhantes aconteçam. “Ele afirmou que os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Educação, Fernando Haddad, também foram designados pela presidenta Dilma para visitar o Rio de Janeiro, a partir de amanhã".

Trechos da carta de um psicopata
Instruções – Na escola, a polícia encontrou uma carta do atirador, na qual ele fala de questões religiosas e dá instruções sobre seu enterro. Leia abaixo alguns trechos:
“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida.”  
Da Redação do Jornal Alô Brasília
Professores municipais do Rio param hoje após massacre em Realengo

Eles devem paralisar as atividades nesta sexta-feira. O objetivo do protesto é expor a indignação dos educadores contra a chacina. Haverá também um ato público na Cinelândia, às 10h.
As manifestações foram convocadas pelo Sepe-RJ (Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro). A entidade chamou, também, as demais escolas públicas e particulares a se juntarem ao ato na Cinelândia.
Segundo o sindicato, a carência de funcionários nas escolas propicia a falta de segurança.
- Há falta de funcionários administrativos nestas redes, como inspetores de alunos, pessoal de portaria, orientadores educacionais, entre outros profissionais. Eles têm a tarefa de auxiliar o trabalho dos professores e garantir segurança no espaço escolar.
 O departamento jurídico do Sepe estuda entrar na Justiça contra as autoridades municipais e estaduais, responsabilizando-as criminalmente pela tragédia, ocorrida na manhã desta quinta (7).

Entenda o caso
Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra.
Armado com dois revólveres calibre 38, ele invadiu uma sala de aula no primeiro andar e outra no segundo, e fez vários disparos contra estudantes que assistiam aula. Ao menos 12 morreram e 13 ficaram feridos, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.
Segundo a pasta, morreram dez meninas e dois garotos. Os estudantes tinham entre 12 e 14 anos.
Duas adolescentes baleadas, uma delas na cabeça, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra o abdôme do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada entre o segundo e o primeiro andar, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.
Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.
Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Os velórios e os enterros serão realizados a partir desta sexta-feira (8).
A Divisão de Homicídios da Polícia Civil concluiu a perícia na escola no início da noite de quinta-feira. O inspetor Guimarães, responsável pela análise, disse que o assassino deve ter atirado de maneira aleatória contra os alunos. A polícia está investigando se os estudantes que morreram eram do 8º ano de escolaridade (antiga 7ª série). A perícia deve confirmar que as vítimas atingidas estavam sentadas na primeira fileira da sala de aula.

Dilma também chora ...

um minuto de silêncio em homenagem às crianças mortas em massacre no Rio ...
aconteceupb.blogspot.com
A presidente Dilma Rousseff pediu um minuto de silêncio durante a cerimônia em  comemoração da formalização de 1 milhão de empreendedores individuais no início da tarde de ontem. Durante o evento, a presidente se emocionou e chorou por conta da tragédia no Rio de Janeiro.
Dilma disse ainda que "repudia" o ato de violência "contra crianças indefesas” e concluiu o discurso: “Encerro meu discurso homenageando crianças inocentes que perderam a vida e o futuro e Realengo”. Dilma cancelou o discurso que faria para a comemoração. O evento durou apenas 20 minutos.

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