O que elas pensam

100 dias com Dilma


Beth Michel
Artista plástica por gosto
Blogueira por desgosto
http://bethmichel.com.br/

Dilma superou minhas expectativas. Pois como havia dito na entrevista que lhe dei por ocasião do Dia Internacional das Mulheres, ela teria que vencer dois avatares criados pela mídia em torno da sua candidatura: o do continuísmo (Lula) e o da dependência (partidos aliados), que poderiam cercear a formação da equipe ministerial e outros postos de igual ou maior relevância, e o desenvolvimento e implantação de seus projetos de campanha.
E ao que me parece, e levando-se em conta que  - neste país - o ano só começa depois do Carnaval, ela tem conseguido impor seu ritmo e vontade, e passando lindamente pelos obstáculos. Nenhuma vez se soube que ela tenha ido pedir "colo" ao Lula - embora o leve à tira-colo em ocasiões pontuais. E deixou muito "aliado" falando sozinho, entre eles o próprio Sergio Lalau - ops Cabral, no caso do Ministério da Saúde, e o seu "temível" vice Michel Temer ,que anda com cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança.
Nem sequer a morte de José Alencar ( considerado a terceira perna do banquinho "Lulistico") abalou-a, além da tristeza natural por perder um amigo.
Se continuar assim, estamos indo muito bem!



Tati Bueno
Jornalista e escritora

Evidentemente a Dilma não serve para nenhum parâmetro de beleza. Está inclusive longe disso, mas eu que não votei nela porque sob a minha analise política seria uma continuação do governo Lula, (que eu detestei por inúmeras razões) reconheço que esses 100 dias de seu governo foram bastante esperançosos.
Isso, entretanto, não significa que ela não anda pecando, (talvez orientada por alguma assessora) e perdendo tempo recebendo e dar entrevistas para pessoas sem a menor importância política, pessoal e longe de serem formadores de opinião.
O resto é rezar e esperar para ver. E repetir como a minha vó -"VASSOURA NOVA" SEMPRE VARRE A CASA BEM.
A opinião de algumas historiadoras

São avaliações e opiniões livres, algumas sintéticas, outras mais longas, que ganham interesse justamente por não serem “acadêmicas”, pois mostram o distanciamento crítico ou a adesão emocionada dessas historiadoras brasileiras. Por essa razão, preferi não editá-las, transcrevendo-as na íntegra para o leitor do blog.
Rachel Soihet (UFF)
Não tenho uma perspectiva essencialista de que o simples fato de se tratar de uma mulher automaticamente contribua para uma mudança em termos de sentimentos e de comportamento. Caso tal fato correspondesse à verdade, como explicaríamos a atuação de uma Margaret Thatcher? Mas, com relação a Dilma, observo inúmeros aspectos positivos, em especial nas suas declarações em favor do respeito aos direitos humanos e no que tange à política internacional, consubstanciadas na postura recente do Brasil com relação ao Irã. Igualmente, no plano interno verifico uma tendência mais incisiva com vista a trazer à tona os arquivos da ditadura criminosamente ocultos há tantos anos.
Também gostaria de acrescentar que, ao contrário do que muit@s afirmavam, a presidente não se constitui em simples fantoche de Lula e, embora se mantenha respeitosa com relação ao mesmo, tem dado mostras de iniciativa e firmeza diante das várias situações que se lhe tem apresentado. Não há como deixar de acentuar o seu empenho na nomeação de mulheres para o ministério e demais posições de poder.


Lucia Maria Lippi Oliveira (CPDOC/FGV)
Tinha poucas expectativas sobre o governo Dilma, não fui sua eleitora, embora tenha votado em outra mulher, Marina Silva. Considerava/considero que seu programa estava/está preso ao século XX, talvez até ao XIX. Não me agradava também a campanha eleitoral enfatizar Dilma como “a mulher do Lula” ou “a mãe do PAC”... Mas não ter sobressaltos diários com as declarações públicas do Lula já é lucro! Seu comportamento é mais “racional”, estável e coerente, concorde-se ou não com suas posições. Tais traços (inclusive falar pouco, ler os discursos) não são identificados pelo senso comum como “coisa de mulher”, ao contrário. Vamos ver como esta mulher, que não corresponde aos estereótipos femininos, enfrentará os problemas graves que ainda estão aí e torcer para que saiba aproveitar o momento favorável do Brasil no mundo.


Maria Paula Araujo (UFRJ)
Dilma é um quadro político, formada na militância de esquerda. Eu acho que suas maiores virtudes e seus maiores defeitos vêm daí.
Numa apreciação absolutamente pessoal e não científica eu posso dizer que o que eu mais gostei foi a sua postura nas relações internacionais, a condenação explícita do tratamento dado às mulheres no Irã e o posicionamento público e claro de combate à execução de Sakiné.
O que eu menos gostei (e menos gosto ainda) é uma visão que considero ultrapassada em relação ao desenvolvimento econômico. Dilma é “desenvolvimentista” no sentido arcaico do termo. Sua posição em relação à construção da usina de Belo Monte, no Xingu, a meu ver, expressa essa visão anacrônica de progresso que não incorporou, de forma profunda, o respeito ao meio ambiente.


Junia Furtado (UFMG)
Sou eleitora do PT há muitos anos e votei em Dilma com a crença de que ela não seria uma simples seguidora de Lula. Creio que os 100 dias de seu governo já mostram isso. Acho que a visão de administradora que ela tem passado é muito positiva, afinal, no Brasil, a presidência da República acumula a gestão da “casa” com a política externa. Em relação a esta última, gostei de uma relação mais realista com os Estados Unidos, sem adotar uma posição esquerdista simplista de aversão a tudo que diz respeito ao Tio Sam, mas, em relação ao Irã, acho importante mantermos a posição independente que marcou o governo Lula.
Minha maior preocupação em relação ao atual governo é se ele vai manter a postura do governo Lula em relação à universidade – maiores recursos, aumento do corpo docente com abertura de muitos concursos, expansão de vagas discentes, aumento de salários etc. Foram importantes conquistas do governo anterior que estão no momento paralisadas com o corte e restrição de verbas. Quanto à questão feminina, ela vem mostrando que as mulheres no poder são tão (ou mais!!!) capazes que os homens. Acho que sua eleição foi uma importante conquista feminina.


Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ)
Votei na Dilma menos por suas qualidades pessoais e mais por ser uma continuadora dos projetos do governo Lula. Destaco especialmente as políticas nas áreas de educação e ciência e tecnologia, bem como os programas de distribuição de rendas. Apesar de não ter tido muitas expectativas sobre a sua atuação como presidente, uma avaliação dos 100 dias do seu governo indicam que ela está tendo um desempenho acima do esperado, tanto por mim, como por grande parte da população brasileira. Alem de estar dando continuidade aos programas de Lula, tem imprimido sua marca pessoal em vários pontos, tais como a política externa brasileira. Finalmente, acho importante destacar o significado de uma mulher na presidência da República. Ainda que Dilma não tenha levantado nenhuma bandeira feminista, a sua simples presença no cargo mais importante do país abre novos espaços para as mulheres na sociedade brasileira. Concluindo, estou satisfeita de ter votado na Dilma e acho que ela fará um bom governo.


Claudia Wasserman (UFRGS)
Talvez uma das operações mais complexas do ofício do historiador seja o controle da subjetividade. Neste comentário, no entanto, me posiciono como historiadora mulher para analisar os primeiros 100 dias do governo Dilma Rousseff.
Sendo as relações de gênero no Brasil marcadas historicamente por lutas contra o preconceito e pela emancipação da mulher, considero que estas relações serão beneficiadas pelo comportamento da presidenta Dilma.
Seu estilo como gestora austera e competente denota um modelo oposto à imagem historicamente construída da mulher restrita ao ambiente doméstico ou marcada por conotações sexuais pejorativas.
As aparições públicas da presidenta têm sido caracterizadas pela discrição e elegância, pelo cuidado na linguagem e pelo conhecimento pontual dos temas abordados, distinguindo seu caráter daquele que foi a marca registrada do presidente Lula, produzindo, à primeira impressão, um tom de independência e autonomia em relação ao padrinho político.
As políticas públicas para mulheres receberam atenção nestes primeiros meses, sendo destaques o Rede Cegonha – de atenção integral à gestante –, uma ampliação de linha de microcrédito para mulheres empreendedoras, um plano nacional de prevenção e combate à violência contra as mulheres e o aumento do Bolsa Família.
Nos primeiros 100 dias do governo Dilma Rousseff se pode antever uma melhoria nas relações de gênero no Brasil, a diminuição do preconceito e a valorização da mulher nas políticas públicas do país.


Jessie Jane Vieira de Sousa (UFRJ)
Falar em cem dias me remete a Moreira Franco que, ao assumir o governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1986, afirmava que em 100 dias o problema da violência, tão pautado naquela eleição, seria resolvido. Este certamente não foi o discurso da presidente Dilma, que se assume como sucessora de um projeto que se iniciou em 2002 com o presidente Lula. Penso que esta filiação já indica os limites de possíveis mudanças radicais na rota traçada pelo Partido dos Trabalhadores e seus aliados.
Aliás, esta era uma das interdições que a oposição fazia à sua eleição, mas, para amplas parcelas da sociedade, esta era também a sua principal credencial.
Contudo, creio que já temos alguns sinais de como a presidente pretende impor um novo estilo e, de alguma forma, propor à sociedade novos debates.
Acho que a principal diferença é, sem duvida alguma, ditada pela sua adesão a um estilo republicano mais radicalizado. O que implica uma postura austera e avessa aos holofotes. Para alguns, como é próprio da nossa cultura política, baseada no compadrio, este traço foi tomado como antipatia ou arrogância. Até o apelido de “gerentona” foi algo depreciativo.
Outro aspecto que me parece inovador é a sua aparente capacidade para não permitir que o governo tenha muitas falas e, com isto, evitar a emissão de sinais contraditórios. Esta pode ser também uma das estratégias para dominar possíveis apetites pouco republicanos. Estas duas características podem indicar o conhecimento da presidente sobre o fazer política no Brasil e, sobretudo, como ela se dispõe a indicar outra maneira de ser política. Ao longo do seu mandato veremos como tudo isso será assimilado ou não pelo chamado “mundo político”.
No tocante aos temas que me são caros, como os relativos aos direitos humanos, memória, verdade e, sobretudo, acesso à documentação pública, me parece que alguns projetos ainda estão em construção e não sei se aquilo que foi parcialmente projetado no governo anterior será implementado. O tema da Comissão da Verdade tem sido reafirmado pelo governo através das falas ministeriais, mas, ao mesmo tempo, as vozes dos calabouços continuam assombrando a muitos. E me parece significativo que, neste 31 de março, estejam acontecendo iniciativas que visam se contrapor às iniciativas governamentais. Espero que neste aspecto a presidenta saiba impor o seu estilo e que prevaleça a defesa intransigente do direito à memória e a verdade.

Algumas mulheres que falaram ao G1

Agência Estado

Alcione, cantora

“Creio que Dilma veio para marcar o cenário político do Brasil com seriedade em seu trabalho e para tatuar com seu amor o coração do povo brasileiro. Acredito que fará sim um bom trabalho.”


Foto: Renatto de Sousa
/ Câmara Municipal de São Paulo

 Amelinha Teles, ex-presa política, integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos
“Penso que a Dilma está surpreendendo positivamente. Está muito além do que podia se esperar. Tem sido bastante firme, decidida, transparente, humilde. Acho que está indo bem. Tomara que continue assim.”


Arquivo pessoal

 Ana Cássia Maturano, psicoterapeuta e colunista do G1
"Nesse início, a presidente Dilma tem mostrado algo que muitas mães não conseguem hoje em dia: cuidar de seus filhos com pulso firme, certa do que é preciso fazer, sem se deixar enrolar por choramingos."


AH Divulgação
Ana Hickmann, modelo, apresentadora e empresária
“As medidas que estão sendo tomadas para conter a inflação são prudentes e rápidas. O que preocupa é a alta carga tributária que assola os empresários com uma perspectiva de termos a CPMF novamente, o que seria inviável. Já pagamos nos nossos empréstimos um IOF adicional que encarece nosso capital de giro, tornando as linhas de crédito ainda mais inviáveis.”



Reprodução/TV Globo

Ana Maria Braga, apresentadora
"Nestes cem dias de governo, sinto que a força política da nossa presidenta é incontestável. Dona de um pragmatismo único, a nossa chefe de Estado mostrou-se gestora, fez críticas duras e teve desafios importantes como o corte orçamentário, por exemplo. Mesmo diante de tantos desafios a serem cumpridos, ela mantém uma popularidade recorde e nos dá uma sensação de conforto e de que caminhamos para um futuro melhor."


Guilherme Gonçaves/ABL


Ana Maria Machado, escritora, membro da Academia Brasileira de Letras
"Estou gostando do estilo. Aprovo o cuidado dela com os direitos humanos e apreciei seus elogios a livros e leitura. No mais, ainda preciso de uns outros cem dias para ver o que ela realmente faz.”





Ana Moser, 42 anos, ex-jogadora de vôlei
Divulgação

“Cem dias é simbólico, mas, na prática, é pouco para ter um resultado diferente. É uma política de continuidade, mas tem a marca pessoal dela, a primeira quebra de padrão. Ela se coloca valorizando a posição da mulher, valorizando a questão dos direitos humanos. Tem posturas mais humanas, defendendo os direitos humanos. Passou uma imagem de muito trabalho, de muita seriedade, de compromisso com a missão e não com o cargo. De resultado, não tem o que avaliar, mas, em termos de postura, acho que a presidenta coloca novidades como a posição da mulher, a seriedade no trabalho, a questão de não se expor muito e a
questão dos direitos humanos.”

Fátima Dias/Divulgação


Angela Gutierrez, 60 anos, empresária
“Somente se surpreenderam nesses cem dias as pessoas que não conheciam bem a competência da presidenta e não sabiam que determinação e coragem são traços fortes de sua personalidade.”


 


João Miguel Jr/TV Globo

 
 
Angélica, apresentadora
 
“Me surpreendi positivamente. Nossa presidente
está mais firme e demonstrando mais carisma. Acho que é a tranquilidade pós campanha. Que continue assim.”
 
 
 
 
 
 AE

Astrid Fontenelle, apresentadora
“Minha impressão é das melhores. Primeiro porque muito se fala que ela joga duro, trabalha muito mesmo. E outra coisa é que sinto uma aproximação forte dela com cultura. Gostava bastante do Lula, mas achava um pecado sentir ele distante do cinema, das artes e do teatro. Capriche Dilma, o caminho é longo!”

 
 
 
 
Baby do Brasil, cantora
Jane Pini/Divulgação
“É pouco tempo para que eu possa tirar uma conclusão sobre a nossa presidente. O importante para mim agora, como cristã, é orar pela vida dela para que ela seja sempre corajosa, ousada e usada por Deus para conduzir a nação pois, como dizem as escrituras, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. E, para completar, a única vez na face da Terra que um povo teve estabilidade financeira foi no reinado do Rei Davi, porque o rei era com Deus. Aleluia”

Jaciara Aires/Divulgação



Benedita da Silva, deputada federal e ex-ministra
“Ela vem se destacando pela grande ampliação de projetos, principalmente os do lado feminino, como os que lutam contra o câncer de mama e de cólo do útero e a Rede Cegonha. Ela vem dando uma demonstração de que mulher sabe governar e sabe governar muito bem."

Comentários