Paralisação

A Justiça é cega e vai cruzar os braços

Leandro Cipriano



Juízes da esfera federal pretendem paralisar hoje os serviços por 24 horas, com exceção dos casos mais urgentes e de perecimento de direitos. De acordo com a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a categoria deliberou em uma assembleia no mês passado por cruzar os braços por um dia. A decisão contou com a participação de 767 magistrados de todo o país. Uma coletiva com o presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, está marcada para às 10h de hoje, na sede da entidade, para dar mais explicações sobre a paralisação, e se existe a possibilidade do movimento se tornar a futura greve.
Dos votantes na assembleia, 83% optaram por uma ação mais firme contra a falta de avanço nas negociações com o Governo Federal. Entre as principais reivindicações, a categoria pleiteia mais segurança para os juízes que lutam contra o crime organizado; simetria de direitos e prerrogativas com o Ministério Público Federal (MPF); a ampliação da Justiça Federal no 2º Grau e a estruturação das Turmas Recursais; além de um reajuste dos subsídios em 14,7%, conforme as perdas inflacionárias.
Essa é a segunda vez que o segmento pretende cruzar os braços. Em 2000, os juízes federais tentaram paralisar os trabalhos por um dia inteiro, mas não conseguiram. Apesar de ser uma paralisação de 24 horas, rumores sobre uma possível greve são comentados desde o ano passado. A própria Ajufe apontou a possibilidade de uma deflagração da greve caso não fosse concedido o reajuste aos subsídios da magistratura. O segmento voltará a se reunir em até 90 dias  depois do ato de hoje. Segundo a Ajufe, será convocado nesse período outra assembleia para discutir a probabilidade de uma nova paralisação ou mesmo uma possível greve, inédita no País e por tempo indeterminado.

Comentários