Diário de Alexandria



Professor Sepúlveda

Os melões da discórdia


No vasto Império Chinês, o ministro LI Su propôs que a história começasse com o
novo monarca, que recebeu  o título de Primeiro Imperador. Para ceifar as vãs
pretensões da tradição, ordenou-se o confisco e a queima de todos os livros
salvo os que ensinassem agricultura, medicina ou astrologia. Aqueles que
esconderam livros foram marcados a ferro em brasa e obrigados a trabalhar na
construção da Grande Muralha. Muitas obras preciosas pereceram; a posteridade
deve à abnegação e à coragem de obscuros e ignorantes amantes de livros a
conservação do cânone de Confúcio. Tantos literatos, conta-se, foram executados
por desacatar as ordens imperiais que no inverno cresceram melões no lugar onde
tinham sido enterrados.
É como conta Jorge LuisBorges com sua inconfundível filologia.

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