Brasil ultrapassa EUA em ranking global da paz

País é o 74º país mais pacífico do mundo, de acordo com o índice internacional

O Brasil é o 74º país mais pacífico do mundo, de acordo com o Índice Global de Paz (GPI, sigla em inglês) de 2011. O país subiu nove posições em relação a 2010 e superou os Estados Unidos.
O estudo foi divulgado pelo Instituto pela Economia e pela Paz, um centro de pesquisas internacional sobre as relações entre desenvolvimento econômico e paz no mundo.
O índice, que está em sua quinta edição, classifica os países de acordo com sua pontuação em uma escala de um a cinco. O número um representa mais proximidade do estado de paz e o cinco, mais distanciamento.
Como calcular a paz e a violência
Para avaliar a ausência de violência nos países, uma equipe de acadêmicos, empresários, filantropos e membros de organizações pela paz analisan indicadores como: relações com os países vizinhos, instabilidade política, número de homicídios para cada 100 mil pessoas, número de população encarcerada, gastos com a militarização e facilidade de acesso a armas.A Islândia ocupa o primeiro lugar no ranking de 2011, seguida por Nova Zelândia, Japão, Dinamarca e República Tcheca.
Já a Somália foi considerada o país menos pacífico, substituindo o Iraque, que foi para o penúltimo lugar. Acima deles estão Sudão, Afeganistão e Coreia do Norte.

Menos pacífico
Em 2011, o Brasil subiu da 83ª para a 74ª posição e ultrapassou os Estados Unidos, que está em 82º lugar, devido, principalmente, ao envolvimento em conflitos internacionais, à exportação de armas e aos gastos com a militarização do país.
Na América do Sul, o Brasil é o nono país mais pacífico, atrás do Uruguai, que ocupa o primeiro lugar, e de países como Costa Rica, Panamá, Chile e Cuba. Em 2010, o Brasil ocupava a décima posição, atrás da Bolívia.
No entanto, a pesquisa mostra que o Brasil apresenta níveis de crimes violentos, desrespeito aos direitos humanos, número de população encarcerada e número de homicídios por 100 mil pessoas iguais ou maiores do que os níveis da Colômbia e do México, respectivamente o primeiro e o quarto país menos pacíficos do continente.
O Instituto pela Economia e pela Paz, que organiza a avaliação, diz que o mundo está menos pacífico pelo terceiro ano consecutivo. Em 2011, a pontuação geral média dos países ficou em 2,05 (em uma escala de um a cinco, em que cinco representa mais violência). Em 2010, o índice global era de 2,02 e em 2009, de 1,96.
“A deterioração no índice entre 2009 e 2010 parece ter sido reflexo dos conflitos que eclodiram em diversos países, estimulados pelo rápido aumento nos preços de alimentos e combustível em 2008 e pela crise econômica”, diz a pesquisa.
Outro fator, de acordo com a instituição, teria sido o aumento do risco de ataques terroristas em 29 países.No entanto, a pesquisa também atribui a melhora no índice de paz de alguns países a uma diminuição nos gastos com a defesa nacional, forçada pela crise econômica que afetou o mundo em 2008.

Conheça os 10 países mais pacíficos do mundo
1. Islândia
2. Nova Zelândia
3. Japão
4. Dinamarca
5. República Tcheca
6. Áustria
7. Finlândia
8. Canadá
9. Noruega
10. Eslovênia

Oriente Médio
Os levantes populares e conflitos nos países do Oriente Médio contribuíram para deteriorar os índices de paz de alguns países da região, como Bahrein, Egito e Tunísia, de acordo com a pesquisa.
A Líbia, palco de enfrentamentos entre rebeldes e forças favoráveis ao líder Muamar Gaddafi desde fevereiro, caiu 83 posições e está entre os países 20 menos pacíficos do mundo.
O Catar, que está 12ª posição no ranking global, é o país mais bem colocado da região.

Violência custa caro
De acordo com a pesquisa, a violência custou mais de US$ 8 trilhões (R$ 130 trilhões) à economia mundial em 2011.
Além disso, o GPI também identificou um aumento da possibilidade de manifestações violentas em 33 países do mundo.
O índice, que engloba 153 países e 99% da população mundial, foi o primeiro criado para classificar as nações do mundo de acordo com seus níveis de paz.
Para fazer a classificação dos países, a equipe de avaliação utiliza dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, do Banco Mundial, de agências da ONU, de institutos de paz e do centro de pesquisas econômicas da revista britânica The Economist.
 

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