Caso Bruno

Negada liminar para tirar o goleiro da cadeia

O desembargador convocado Celso Limongi negou liminar para que o goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza pudesse deixar a prisão. Ele é acusado pelo homicídio da modelo Eliza Samudio, ocorrido no ano passado, e está em prisão cautelar, aguardando o julgamento.
A liminar foi pedida em habeas corpus impetrado contra decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que havia negado a liberdade ao goleiro. O ex-jogador do Flamengo responde com outras pessoas pelo envolvimento nos crimes de homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver.
Mesmo na cadeia, Macarrão e Bruno só se separam quando o ex-goleiro recebe a visita da namorada na cela | Foto: Divulgação
No pedido dirigido ao STJ, a defesa alegou que o atleta estaria sofrendo constrangimento ilegal por parte do TJMG, que considerou fundamentada – e por isso manteve – a ordem de prisão expedida pelo juiz quando do recebimento da denúncia contra ele. Com a liminar, a defesa pretendia que Bruno pudesse permanecer em liberdade pelo menos até o julgamento do mérito do habeas corpus no STJ.




“Não me convenci, em princípio, do alegado constrangimento, pois a prisão cautelar está fundamentada na periculosidade concreta do paciente, evidenciada pelo modo como a conduta criminosa foi praticada”, declarou Celso Limongi, ao indeferir a liminar. O processo foi enviado ao Ministério Público Federal para parecer.

Com a saída de Celso Limongi, que está retornando para o Tribunal de Justiça de São Paulo, a relatoria do caso ficará com o ministro que vier a ocupar a
Relembre o caso
O desaparecimento de Eliza Samudio foi noticiado com exclusividade por O Dia em 26 de junho. A polícia, no entanto, acredita que a jovem tenha desaparecido no dia 4 do mesmo mês quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno.

Em 2010, Eliza já havia procurado a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), em Jacarepguá, Zona Oeste do Rio, com a afirmação de que estaria grávida do goleiro e que teria sido agredida e forçada a tomar substâncias abortivas. A estudante também acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade.
Em 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Agentes estiveram no local na noite do dia 25, quando receberam a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Em 6 de julho, o caso teve uma reviravolta. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada em entrevista a uma rádio do Rio de Janeiro. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no beirro do Recreio dos Bandeirantes. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada para Minas, mantida em cárcere privado e teria sido executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte ao relato, a polícia conseguiu prender a mulher de Bruno, Dayanne. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza (Coxinha), Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos os envolvidos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, o que foi aceito. O jovem de 17 anos, mesmo negando em depoimentos posteriores ter
visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No dia 11 de novembro, Bruno e outros envolvidos no caso prestaram depoimento em uma audência no Fórum de Contagem. Após nove horas, o goleiro revelou ter mentido em sua primeira entrevista à imprensa (no dia 1° de julho) e confessou ter dado R$ 30 mil para Eliza Samudio. O atleta ainda contou como foram os dias que passou com a ex-amante, acusou o delegado que coordenou a investigação de ter pedido R$ 2 milhões de propina para livrá-lo no inquérito e ainda deu detalhes sobre a agressão sofrida por Eliza.

Nas primeiras horas do depoimento o goleiro deu sua versão para a mancha de sangue encontrada em seu carro durante uma briga entre Eliza e o menor de 17 anos. De acordo com o réu, a modelo teria falado mal dele dentro do veículo em que também estava Luiz Henrique Romão, o Macarrão. O adolescente teria ficado revoltado com a atitude da jovem e, por isso, a teria agredido.

Em entrevista exclusiva ao DIA em 13 de novembro, o advogado de Bruno, o polêmico Ércio Quaresma admitiu ser usuário de crack e já ter 'dormido' em diversas ocasiões pelas cracolândias de Brasília.

Pedido de divórcio

Cara a cara com a mulher Dayanne de Souza, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), o goleiro Bruno Souza pediu formalmente a separação. O encontro aconteceu na quinta-feira, quando o ex-capitão do Flamengo recebeu a visita das duas filhas, de 2 e 5 anos. De acordo com o jornal ‘O Estado de Minas’, a defesa de Dayanne disse que ela vai avaliar as condições propostas pelo jogador.

Dayanne e Bruno conversaram sozinho numa sala. Antes, o jogador encheu as filhas de abraços, beijos e carinhos — ele não via as crianças havia seis meses. Segundo o advogado Francisco Simim, defensor de Dayanne, Bruno demonstrou preocupação com a situação
financeira da família e disse estar confiante na absolvição.
vaga na Sexta Turma.

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