Mãe de criança morta em Realengo destrói arma em abertura de campanha






"Foi uma arma dessa que tirou a vida do meu filho"

André Muzell/R7

 
Marcelo Bastos

No primeiro dia da Campanha do Desarmamento 2011, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (6), Inês Moreira da Silva, de 47 anos, que perdeu o filho Igor, de 13, no massacre de Realengo, destruiu uma arma a marretadas.
Logo após reunir forças para inutilizar um revólver, mesmo tipo de arma usada na morte de seu filho Igor, a mãe do menino não conteve as lágrimas e fez um desabafo.

- Foi uma armas dessas que tirou a vida do meu filho. Se não fosse por uma arma como essa, meu filho não teria morrido, ainda estaria vivo.
Parentes de vítimas da tragédia, quando 12 crianças foram mortas na escola Tasso da Silveira, no dia 7 de abril, estiveram no evento de lançamento da campanha, onde reivindicaram mais segurança nas escolas e atendimento psicológico para famílias das vítimas e as demais crianças da escola.
 
Entenda o caso
Por volta das 8h do dia 7 de abril, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola completava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).

Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu duas salas e fez dezenas de disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos.
Duas adolescentes, uma delas ferida, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O  sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra a barriga do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.
Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.
Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias.   Onze estudantes foram enterradios no dia 8 e  uma foi cremada na manhã do dia 9.
Oliveira só foi enterrado na manhã do dia 22 porque nenhum parente compareceu ao IML para liberar o corpo no prazo de 15 dias. O cadáver foi catalogado como "não reclamado" e sepultado em uma cova rasa no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona norte, após autorização da Justiça.

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