“Nós pega, ou nós pegamos o peixe?”. Correção do Enem

Defensoria: linguagem informal aceita em livro do MEC deve alterar

Miriam Paúra: "Se passarem realmente a aceitar essa linguagem, é para nós, professores, revermos nossas posições" Foto: Lucíola Villela/18.11.2005 / Extra

 
“Nós pega, ou nós pegamos o peixe?”. Essa é uma das perguntas que a Defensoria Pública da União quer que o MEC responda formalmente em, no máximo, 15 dias. Depois da polêmica aberta pela indicação oficial de um livro que prega o ensino da linguagem informal nas escolas, a Defensoria entende que o governo abre precedente para que todo o sistema educacional seja revisto, inclusive os critérios de correção das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
 
 
José Maurício Costa e Camila Freitas
Para o defensor federal André Ordacgy, o MEC precisa se decidir pelo ensino da norma culta ou pela linguagem informal.
— A nossa impressão inicial é de que se você incentiva a leitura de um livro que traz incorreções como “nós pega o peixe” nas escolas, como é que o MEC vai cobrar a norma culta em seus próprios procedimentos, como por exemplo, no Enem? De imediato isso já nos parece uma grande contradição — afirmou.
A pedagoga e mestre em educação Miriam Paúra acredita que, se o MEC não mudar a sua posição, as avaliações dos estudantes terão que ser revistas:
— Se hoje alguém escreve do jeito que eles estão aceitando, está errado, o julgamento não será correto. Se passarem realmente a aceitar essa linguagem, é para nós, professores, revermos nossas posições. As pessoas que têm menos condições sociais e econômicas podem acabar perdendo a oportunidade de aprenderem a norma culta. Acredito que o MEC irá rever essa posição.
Em nota, o MEC explicou que decidiu não recolher o livro “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, aprender”, porque a autora não acata a linguagem oral em detrimento da norma culta. Segundo o MEC, o livro apenas reconhece a norma vulgar e propõe que os alunos aprendam a converter conversas coloquiais na chamada norma culta.

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