Pimenta Neves deixa carceragem do 2º DP

Jornalista que assassinou Sandra Gomide não tem chance de prisão domiciliar
 
Reprodução/Rede Record


Reprodução/Rede Record
Jornalista dentro de viatura após deixar a carceragem do 2º DP, no centro de SP
O jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves deixou a carceragem  do 2º Distrito Policial (Bom Retiro), no centro de São Paulo, às 12h59 desta quarta-feira (25). Condenado por matar a ex-namorada Sandra Gomide, em 2000, ele deve ser encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) Oeste, na capital paulista, para realização de exame de corpo de delito.


Após a passagem, ele deve ser transferido para a Penitenciária do Tremembé, a 147 km de São Paulo, segundo informações da defesa do assassino.
Ele deve ser levado diretamente para a cadeia sem a possibilidade de prisão domiciliar, afirmou Sergei Cobra Arbex, advogado da família de Sandra Gomide, que também era jornalista.
Pimenta Neves se entregou às autoridades na noite de terça-feira (24), e, então, foi levado para o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), na região central, por volta das 20h30, e movido para o 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, no fim da noite, onde, segundo policiais, passou a madrugada inteira acordado.
Nesta manhã, uma advogada do jornalista esteve no local para conversar com ele. Ela também levou café da manhã ao condenado, que já havia se recusado a comer mais cedo.
Segundo Arbex, a demora na prisão de Pimenta Neves foi uma falha da Justiça.
- Claramente vocês viram que o Pimenta Neves disse que esperava a decisão. A sociedade esperava. Só a Justiça que esperava erradamente, porque demorou demais. Pimenta Neves é só um dos que sofrem da maior falha da Justiça brasileira, que é a lentidão.
A falha, diz o advogado, estaria especificamente na administração da entrada de recursos na Justiça.
- O primeiro recurso dele [de Pimenta Neves], quando ele matou a Sandra, demorou seis anos de tramitação. Todos os outros recursos, colocados pela defesa, tiveram o tratamento que têm todos os processos na Justiça, ou seja, muito lento. Esses processos têm que ser rápidos, para ambos os lados.
Arbex diz ainda que a demora dos processos na Justiça também faz com que a imagem do sistema judiciário no país fique manchada, e que é necessária uma mudança na velocidade de análise dos processos. O fato de Pimenta Neves ser réu confesso deveria fazer com que o processo na Justiça fosse mais rápido.
- Não tem uma pessoa no Brasil ou fora dele que não sinta esse caso como uma chacota. O Pimenta Neves é sempre lembrado. Eu não conheço na história do Brasil um caso mais emblemático que esse.

Prisão imediata
Na tarde de terça-feira (24), a 2ª turma do STF determinou a prisão imediata do jornalista, condenado pela morte da também jornalista Sandra Gomide. A decisão foi unânime entre os cinco ministros que apreciaram a questão, segundo nota do Supremo.
Segundo o delegado Milanese, da Divisão de Captura, o mandado de prisão de Pimenta Neves foi expedido pelo juiz de Ibiúna, responsável pelo caso, só no final desta noite. Por causa disso, a polícia tinha ido até a casa do jornalista apenas para vigiá-lo, e não podia invadir o local. Os policiais apertaram a campainha e foi iniciativa de Pimenta Neves abrir a porta e os receber.

Relembre o caso
Sandra foi morta no dia 20 de agosto de 2000, no Haras Setti, em Ibiúna, cidade a 64 km de São Paulo. Na época, Pimenta Neves era diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo. Sandra também trabalhava no jornal, como repórter e editora do caderno de Economia. Eles namoraram por quatro anos, mas ela terminou o relacionamento semanas antes do crime.

Réu confesso do assassinato, Neves foi condenado a passar 19,2 anos na cadeia, mas teve a pena reduzida para 15 anos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). No entanto, ele cumpriu apenas sete meses de prisão e, em 2007, ficou novamente livre devido a uma outra decisão do STJ.

Comentários