Política Aflora

Crise nos partidos antecipa corrida eleitoral de 2012 e até de 2014

Racha dificulta projeto de poder do DEM e do PSDB, mas facilita a vida do PT

Celson Junior/AE -  10.05.2011Celson Junior/AE - 10.05.2011
Novo partido de Kassab é a nova peça do jogo eleitoral de 2012
A presidente Dilma Rousseff mal esquentou sua cadeira no Palácio do Planalto e os partidos políticos já traçam seus planos para as corridas eleitorais de 2012 e 2014. Para alguns especialistas, a antecipação exagerada do assunto não passa de um sintoma de uma das maiores crises partidárias desde a redemocratização do Brasil, em 1985.

Já de olho na próxima campanha presidencial, o senador tucano Aécio Neves (MG) começou o mês tentando ganhar o apoio do novíssimo PSD. Criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para se livrar do DEM - abalado pela queda do governador do Distrito Federal, em 2010, e pela terceira derrota presidencial para o PT - o novo partido já foi chamado por Aécio de “partido sem identidade”, mas hoje ele pede para “conversar e manter vínculos” com os líderes da nova legenda.


Aécio também vem aproveitando o abalo no PSDB (que só em março perdeu seis vereadores na capital paulista) para se aliar ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a fim de barrar a ida de José Serra à presidência do partido e, principalmente, impedir que ele tente mais uma vez se candidatar à Presidência da República em 2014.

O cientista político da UnB (Universidade de Brasília) Ricardo Caldas acha que Aécio não pode mesmo perder tempo, independentemente da situação de seu partido.

- Ele não pode correr o risco de ser preterido pela quarta vez. Ele não vai correr esse risco. A pergunta é se essa candidatura vai acontecer pelo PSDB ou não. Uma das alternativas é fazer como o [hoje senador] Fernando Collor de Mello, que na eleição presidencial de 1989 criou seu próprio partido.

Caldas dá seu palpite sobre essa “rearrumação partidária”:

- A oposição não sabe mais fazer oposição. O DEM perdeu sua pouca identidade e não tem mais como sobreviver enquanto partido. Falta moral para fazer oposição moderada ou radical. A solução foi que uma parte do partido foi para o PSD e o que sobrou deve ir para o PSDB.

Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegaram a admitir em um debate a possível fusão de PSDB, DEM e PPS (também da oposição), assunto desmentido mais tarde por líderes do DEM.

A cientista política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) Maria do Socorro lembra que a “fragmentação dos partidos de oposição só fortalece as legendas governistas”.

PT e PMDB aproveitam a confusão

Os dois principais deles, PT e PMDB, aproveitam a confusão na cozinha rival para arrumar a mesa para as eleições municipais de 2012. No final de abril, o PT reuniu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prefeitos e deputados da sigla em um Spa na Grande São Paulo para traçar as primeiras estratégias para a campanha eleitoral do ano que vem.

Enquanto isso, o PMDB deu um duro golpe no aliado petista PSB ao tirar duas de suas estrelas emergentes: o deputado federal Gabriel Chalita e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf. O primeiro é cotado para candidato à Prefeitura de São Paulo e o segundo ao governo estadual.

Para a cientista política, a confusão nos rivais torna tão confortável a vida do PT que o partido se deu ao luxo de trazer de volta o mensaleiro Delúbio Soares e fazer do deputado estadual Rui Falcão (SP) seu novo presidente. Muita gente no PT torceu o nariz para a escolha porque Falcão é aliado político do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter sido o “operador do mensalão”, o maior escândalo político do governo Lula.

- O PT está em uma situação tão favorável que se sente à vontade para abrir uma janela para que esses quadros que foram criticados antes voltem com força agora. Quem é contrário não consegue voz por ser minoria.


Ela diz que o fato de o DEM e o PSDB estarem oito anos fora do governo federal aumenta a crise, mas ela cita dois motivos mais fortes: a ausência de um projeto político com ideias que atraiam o interesse dos eleitores e o fim das brigas internas pelo controle das legendas. A ânsia prematura por voltar ao Palácio do Planalto, diz ela, vai precisar esperar pela reestruturação dos partidos.


- São conflitos internos entre gente que quer sair das siglas e gente que quer tomar o poder dentro delas em detrimento de verdadeiros líderes que possam unir diferentes políticos em torno de um programa realmente novo, esse sim com poder de levá-las de volta ao poder.

Em encontro com prefeitos, Dilma anuncia ajuda para melhorar centros de saúde dos municípios

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Em um encontro com mais de 4 mil prefeitos, ontem (10), em Brasília, a presidenta da República, Dilma Rousseff, anunciou que o governo vai ajudar financeiramente as prefeituras para possam reformar os seus centros de saúde. Ela disse que pediu ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um levantamento dos principais problemas e um cronograma para as reformas. "Vamos apoiar reforma das unidades básicas de saúde", disse.
A presidenta citou uma pesquisa que identificou que 74% das unidades de saúde em funcionamento no país não atende aos requisitos de qualidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. "Vou apresentar, em breve, nosso cronograma de reformas. Não é correto construir novas unidades sem garantir que o conjunto dos postos de saúde tenha padrão de qualidade em atendimento à população", afirmou.
A aprovação da Emenda 29, que prevê um percentual mínimo de repasse da União para as prefeituras, a fim de investirem em saúde, foi uma das reivindicações apresentadas no início da reunião à presidenta. Dilma, no entanto, pediu cautela dos prefeitos para tratar de uma questão considerada polêmica. "Todos nós precisamos reconhecer que se trata de uma questão complexa. Essa discussão ainda não se completou na esfera da União, dos estados e municípios", disse.
A presidenta da República garantiu ainda que o governo vai repassar este ano R$ 10 bilhões para os municípios investirem em saúde. "Mesmo sem a aprovação da Emenda 29, já estamos colocando recursos na saúde", afirmou. "Vamos oferecer formação superior para os gestores públicos municipais. As inscrições vão começar no segundo semestre de 2011", completou.
A reformas das unidades de saúde é uma das medidas anunciadas pela presidenta. No pacote de medidas, no entanto, não está garantia de liberação dos cerca de 15 bilhões de restos a pagar, principal reivindicação dos prefeitos. Dilma disse que o governo vai liberar R$ 750 milhões, sendo que R$ 520 milhões serão repassados hoje (10) pelo Tesouro Nacional e o restante no próximo dia 6 de julho.
Dilma ainda prometeu lançar um programa de saneamento para municípios até 50 mil habitantes que contarão também com formação para gestores e ajuda para prepararem os projetos. "Sabemos das dificuldades que a Funasa enfrentou e vocês [prefeitos] também enfrentaram. Vamos ajudar os pequenos municípios a elaborarem seus projetos", disse.
A presidenta ainda pediu aos prefeitos que elaborem uma proposta alternativa de distribuição de royalties provenientes da exploração de petróleo na camada pré-sal. Ela lembrou que o governo, ao enviar o marco regulatório da atividade para o Congresso, previu uma distribuição mais igualitária entre os municípios, mas esbarrou na previsão constitucional que privilegia municípios e estados produtores”.
“Peço a vocês que, respeitados os preceitos constitucionais, as entidades municipais possam construir uma proposta que aprimore as condições de distribuição de recursos do pré-sal. Mas, é preciso também debater sobre como usar esses recursos", afirmou.
Dilma ainda pediu aos prefeitos que se empenhem no programa de erradicação da miséria que o governo lançará nos próximos dias. "Conto com a participação dos prefeitos e prefeitas para assegurar igualdade de oportunidades a todos os brasileiros. Os prefeitos foram grandes parceiros no Programa Bolsa Família e, se a participação de vocês for da mesma qualidade daquela do Bolsa Família, vamos conseguir isso. Esse programa vai exigir a mobilização de todos nós e da sociedade brasileira", disse.

Comentários