Visão Política

O perigo da política dos “de fora’ e dos “da terra”

Sobre valorização local é realmente é legitimo uma administração municipal em que se de uma maior importância a empresas, negócios e pessoas do próprio município. Uma das vias desastrosas do  governo anterior se deu neste campo. Aonde vimos vários serviços sendo prestados por empresas que não eram da cidade, eram de Duque de Caxias, eram de Campos, eram de Rio das Ostras e de Cabo frio. O problema gerado por isso é bem simples de entender; é dinheiro que esta indo embora ao invés de circular no próprio município.

A contratação de empresas prestadoras de serviço oriundas de outras cidades só se legitima caso não haja no município uma que possa prestar esse serviço com qualidade. Pos se prestar esse serviço de forma não satisfatória, e ser contratada só por que é da “terra”, é melhor que não se contrate realmente. Para resolver esse problema é que existe licitação e no caso dos funcionários do governo existe concurso publico, que já passou da hora de acontecer em Búzios.
Temos que fazer antes de tudo (como se disse nos comícios de ambos os lados) a cidade para o cidadão, capacitar os “da terra” para que possam ser empregados nas iniciativas geradas aqui, já que muitas vezes a mão de obra vem de fora por estar mais capacitada. Tudo isso já sabemos e concordamos. Mas se é perigoso essa política que passou dos “de fora”, que quando  o barco afundou foram logo embora. Tão perigosa quanto, pode se tornar, à política “dos da terra”.

Pelas calçadas da cidade, onde se tem calçada, se ouve esse bordão: “Agora é para os que são “da terra”. Esse bordão também foi ouvido da boca de alguns vereadores recém-eleitos. É bom que possa ser melhor esclarecido o real teor desta expressão “da terra”, pois por enquanto soa muito dúbia. Da “terra” seria somente quem nasceu aqui? Nativo de Búzios? Mas como se caracteriza um nativo de Búzios? Todos os nossos vereadores nasceram antes da emancipação, aqui ainda era Cabo Frio, e mesmo os mais jovens da população, também todos nasceram quando aqui não tinha hospital; nasceram no hospital de Cabo Frio.

Então é ‘da terra” só quem nasceu de parteira? Ou somente os menores de 6 anos nascidos no Hospital daqui? Se for essa a noção de ser “da terra’ soa estranho a um município de apenas 13 anos de emancipação e que antes de ser emancipado já estava sendo construído com as características que tem, tanto pelos nativos quanto por aqueles que escolheram este local como lar. Muitos buzianos não nasceram aqui. Mas moram aqui há anos, votam e trabalham aqui. Fazem compras nos Super­ Mercados daqui, usam o precário transporte publico da “terra”. Se casaram aqui, seus filhos nasceram aqui, não pretendem ir embora daqui. Creio que isso os faz “da terra”. Assim como é “da terra”, ao meu entender, o migrante nordestino que daqui fez o seu lar, é o argentino e outros estrangeiros que á anos, mesmo que não votem aqui, moram e mantêm seus negócios geradores de renda e empregos aqui. São “da terra” ou não são?

Saindo da simplista visão que “da terra” é só questão de nascimento, o que não combina com o tal ar cosmopolita de Búzios, e buscando enriquecer a expressão para o ter o coração nessa cidade, nessa terra. Podemos fazer a expressão se tornar muito mais forte e carregada de significados profundos. Porque afinal das contas somos todos da Terra e não de Marte. Não é mesmo?


Victor Viana http://www.twitter.com/  é editor do blog O Curinga de Búzios 

Comentários

buziosup.blogspot.com disse…
Como argentina, permanente e moradora na cidade De búzios a 19 anos, eu respondo a sua pergunta feita nesta materia si somos o não somos da terra, sou sei que eu sou da terra, crie meus 4 filhos , tiveram a sua educação nesta cidade,trabalho como colaboradora na Associação de Catadores de Materiais recicláveis, me interesso pelo meio ambiente, tenho direitos e obrigações igual a todo mundo, então eu acho que sou da terra também.
victor Viana disse…
Sim, eu penso isso também. È os que tem compromisso com essa terra que são os "Da Terra". Obrigado pela sua participação e continue conosco.
Victor Viana disse…
Errata: São 15 anos de emancipação e não 13.