70% deixaram compras para a última hora

Clique para Ampliar Contenção de crédito e economia em ritmo menor não causaram efeitos às vendas dos shopping centers

 
Assim como acontece em quase todas as datas comemorativas do calendário brasileiro, os namorados também estão atrasados para a compra dos presentes. De acordo com o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers do Ceará (Aloshop), Abílio do Carmo, aproximadamente 70% das vendas previstas para a data ainda não tinham sido concretizadas até a manhã de ontem.

Na última quinta-feira, em reunião, os lojistas avaliaram a situação. Mesmo com o atraso, eles acreditam que vão superar os números do ano passado.

"É sempre a mesma coisa. As pessoas deixam mesmo para a última hora. A única apreensão é porque quem paga por um eventual prejuízo são os lojistas. O investimento foi alto", explica Abílio.

A expectativa da Aloshop é vender até 10% a mais que no Dia dos Namorados do último ano. Uma cifra de quase R$ 2 milhões foram investidos pelos shoppings em promoções e campanhas publicitárias.
Lojas cheias
Já para o cliente, a única preocupação, de acordo com Abílio, deve ser com as lojas cheias nestes últimos dois dias. Como não houve contratações extras significativas no setor para o período, o atendimento pode ficar comprometido.

Ele frisa, contudo, que ainda há muitas opções de presentes nas lojas e que, como de costume, os ítens mais procurados são em vestuários, artigos de couros e perfumaria. "Nós acabamos de ´virar a coleção´. Os estoques estão bem abastecidos", garante.
Ticket médio
O ticket médio previsto para os presentes é de R$ 100,00. Esse valor, considerado acessível pela Aloshop, também deverá permitir o sucesso das vendas, uma vez que nessa faixa poucas pessoas parcelam muito e quase ninguém financia para comprar. Por isso, as taxas de juros mais altas não assustarão os consumidores cearenses.
Sem crise
Os efeitos da desaceleração da atividade econômica resultantes dessa alta dos juros e das medidas macroprudenciais implementadas pelo governo ainda não atingiram o desempenho das vendas do setor de shopping centers. O presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, citou o alto nível de emprego e renda, que continuam crescendo, como motivo para a manutenção do cenário de otimismo.

O dirigente avaliou que o setor poderá crescer este ano acima da estimativa inicial projetada pela entidade, de 9%.

"O varejo de shopping centers tem uma blindagem maior em relação a fatores políticos e econômicos. Somos os últimos a sentir os impactos e os primeiros a reagir", disse. Sazonalmente, as vendas do varejo de shopping centers são maiores no segundo semestre.

Apesar do cenário otimista traçado pela Alshop, o presidente da empresa de shopping center Sonae Sierra Brasil, José Baeta Tomás, observa que o ritmo de crescimento das vendas neste ano é inferior quando comparado aos últimos dois anos.

"Questões como falta de mão de obra acabam gerando um compasso de espera na economia", disse. A empresa de shopping abriu o capital em março na Bolsa.
ANA CAROLINA QUINTELAESPECIAL PARA ECONOMIA

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