Caso Bruno: goleiro acusa delegado novamente e confirma encontro com juíza

 
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Alex de Jesus/O Tempo/AE
O goleiro Bruno chorou durante a sessão que apura um suposto esquema de extorsão para tirá-lo da prisão

O ex-goleiro Bruno Fernandes começou seu depoimento na Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (28) protegendo a noiva Ingrid Calheiros Oliveira, 26 anos, mas em seguida ele disse que encontrou de forma privativa com a juíza de Esmeraldas
- Ela tem ótima educação e carreira promissora, nunca negociou com advogado algum para ganhar por fora. Ela [juíza] dispensou a escolta, afirmando que não tinha necessidade, mas na conversa não falamos sobre alvará de soltura. 
O ex-jogador leu trechos da carta recebida pela noiva no dia 25 de fevereiro e voltou a acusar o delegado Edson Moreira, responsável pelo inquérito da morta da ex-amante de Bruno, Eliza Samudio.
- Eu quero sair de cabeça erguida. Se fosse para usar a corrupção, teria dado os R$ 2 milhões pedidos por Edson Moreira no início do caso.

A quantia seria para jogar toda a acusação do sumiço e possível homicídio de Eliza Samudio em Macarrão e no adolescente.

- Jamais faria isso. São dois meninos, considerados irmãos para mim.

O atleta acusou o delegado ainda de ameaça.

- Edson Moreira me perguntou o que eu acharia de encontrar pedaços da minha filha espalhados pelo Estado.
Durante o depoimento à Comissão de Direitos Humanos da ALMG, o ex-goleiro afirmou novamente que acredita que Eliza Samudio está viva e sugeriu que ela poderia estar escondida em algum país até da América do Sul. Emocionado, o atleta disse também que está sendo tratado pior do que os presos.

Após ser indagado o que pensa sobre todo o caso, Bruno disse acreditar na inocência de todos os envolvidos.

- Olhando nos olhos de todos vocês eu posso garantir: sou inocente.

Ele afirmou também que todas as pessoas esqueceram a carreira que ele teve e garante que Eliza sempre foi bem tratada por ele.
- Não existiu nada de cárcere privado. Eu não entendo porque não investigam onde ela possa estar. Estão procurando uma mulher morta, porque não procuram uma viva? O pai dela fugiu para Argentina, é só ligar os fatos. E quem é essa mulher [Eliza Samudio]? Modelo? Eu não concordo.

No depoimento de cerca de 30 minutos, o goleiro confirmou a linha de Dalledone sobre a influência do advogado Robson Pinheiro.

- Ele chamava a juíza José Maria de amiga. E dizia: “pode ficar tranquilo, a amiga está nos ajudando”.
Por fim, Bruno rechaçou a hipótese de estar recebendo regalias.

- Eu era o único preso sem poder escrever cartas. Recebi do Robson luvas, tênis, bolas e um extensor para poder fazer atividade física no pátio.
Advogado de goleiro acusa juíza 
O advogado do Paraná, Cláudio Dalledone Júnior, que defende o ex-goleiro Bruno, fez graves acusações à juíza Maria José Starling e ao advogado Robson Pinheiro, durante depoimento à Comissão de Direitos Humanos.

Ele afirmou que o encontro de Robson Pinheiro com a noiva de Bruno, Ingrid Calheiros Oliveira, foi feito na casa da magistrada. Disse também que o contrato previa uma multa de R$ 1,5 milhão caso Bruno concedesse entrevista sem a presença dele. O atual defensor do atleta alegou ainda que ficou pasmo com outro ponto do contrato.

- Havia o pagamento da mesma quantia 48 horas após o alvará de soltura ser concedido. Isso não existe, advocacia é um contrato de meio, não de fim.
Assista ao vídeo:

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