Dia dos Namorados especial para bombeiros

Esposas preparam para os que ganharam a liberdade

Justiça determinou nesta sexta-feira que militares sejam soltos

Deisi Rezende / Agência O Dia
Deisi Rezende / Agência O Dia
Familiares choram com a notícia de que bombeiros serão liberados

Os 431 bombeiros presos após a manifestação que terminou na invasão do quartel Central, no Rio de Janeiro, ganharam na Justiça a liberdade na tarde desta sexta-feira (10). Para Isis Maia, esposa de um dos bombeiros presos, essa é a melhor notícia que recebeu nos últimos dias. Segundo ela, agora é pensar o que fazer no Dia dos Namorados.
- Fiquei muito feliz com a notícia. Já chorei, dei um abraço apertado nele e estou sem palavras. A única coisa que quero pensar é no Dia dos Namorados. Vou preparar uma surpresa para ele, vou fazer uma comida especial e vamos ficar juntinhos. 

Felipe de Oliveira

Já para Cristiane Daciolo, esposa de Benevenuto Daciolo, que foi preso pela segunda vez, essa foi apenas uma parte da batalha. Para ela foi uma grande vitória, que veio pela união do povo.
- Estou muito feliz de saber que ele vai voltar para casa. Só tenho que agradecer à população, nada disso teria acontecido sem o apoio de todos. E estou ainda mais feliz porque ele vai passar o Dia dos Namorados e o meu aniversário em casa, agora vou comemorar com ele. Vamos ter um dia muito especial.
Ela ainda revela que a comissão criada pelos bombeiros deve se reunir ainda hoje para definir qual o rumo que a manifestação deve seguir.
- Estamos esperando eles saírem para a comissão se reunir e decidir o que vai ser feito. A negociação com o governo vai continuar, ainda mais porque até agora nada do que foi reivindicado aconteceu.

Entenda o caso
Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.
A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.

Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.

Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, desta vez para o quartel de Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.
Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007.

Pressionado por dezenas de protestos e diante da grande repercussão do caso, na quinta-feira (9), o governador anunciou aumento de 5,58 % nos salários de bombeiros, policiais militares, policiais civis e agentes penitenciários. Para isso será antecipado de dezembro para julho os reajustes que já eram previstos. Ele ainda anunciou a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil e nomeou o comandante Simões como titular da pasta.

Os bombeiros presos foram autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão. Apesar das baixas, o comando-geral do Corpo de Bombeiros informou que a rotina de atendimento à população está mantida e que os substitutos dos bombeiros presos assumiram seus postos.

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