Em Campos, manifestantes protestam contra fim imediato das queimadas na colheita da cana

Usinas da região já pararam de operar

Leonardo Berenger / Ururau
Leonardo Berenger / Ururau
Manifestantes ocuparam a praça São Salvador em Campos
 
Centenas de pessoas fizeram uma manifestação na praça São Salvador, no centro de Campos dos Goytacazes, no norte do Estado do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (27) contra a proibição da queima da cana-de-açúcar durante a colheita na região.
Os manifestantes levaram máquinas agrícolas e cartazes para a praça. O movimento foi organizado pela Asflucan (Associação Fluminense dos produtores de cana-de-açúcar), que defende a lei estadual 5.990, de 21 de junho de 2.0110, que determina a redução gradativa da queima da cana. Os dirigentes da Associação criticam a decisão da Justiça Federal que determina a suspensão imediata e a cobrança de multa diária de R$ 2 mil para as usinas que comprarem cana queimada.
A manifestação contou com apoio de proprietários e trabalhadores rurais, além de produtores e trabalhadores do setor sucroalcooleiro. O Secretário de Estado de Agricultura, Christino Áureo, e diversos políticos também participaram da mobilização.


Produção parada
O presidente da Coagro (Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro), Frederico Paes, informou o setor vai recorrer da decisão federal ainda nesta terça-feira (28). Ele disse que a cooperativa suspendeu as operações por tempo indeterminado. Durante a manifestação ele recebeu a intimação da Justiça Federal que determina que a Coagro, assim como as outras duas usinas da região, não trabalhe com cana queimada. 
- Não tem como respeitar a determinação e continuar a produzir
Segundo ele, apenas 20% da cana-de-açúcar usada pela empresa é crua, todo o resto é colhido com queimada.
- Nós queremos o fim da queimada, mas tem que ser feita de forma gradativa, como acontece em outros estados produtores de cana como São Paulo e Espírito Santo.
 A Coagro produz diariamente 10 mil sacas de açúcar (o equivalente a 500 kg) e 100 mil litros de etanol. A cooperativa emprega 2.500 trabalhadores.
Paes alerta que se o impasse não for resolvido em até uma semana a empresa não vai ter como manter esses trabalhadores. A Usina Paraíso também informou que vai parar as atividades.

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