Em Rio das Ostras, Escola de Luteria para a população

Jovens carentes se qualificam aprendendo a confeccionar instrumentos de cordas



Um projeto que mescla cultura e responsabilidade sócio-ambiental. Com essas propostas, a Escola de Luteria de Rio das Ostras conseguiu a chancela da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura –Unesco, em paridade com apenas mais uma no Brasil. Centenas de jovens em situação de vulnerabilidade social já foram capacitadas no espaço, mantido exclusivamente pela Fundação Rio das Ostras de Cultura. Estudantes da Rede Pública de Ensino, recebem ainda uma bolsa-auxílio de R$ 100 por mês para frequentarem as aulas de luteria, além de outras oficinas de artes oferecidas na sede da Fundição Escola de Artes e Ofícios, no bairro Colinas.



O estudante Lucas Freitas (foto), de 17 anos, mora no Palmital. Há dois meses ingressou na Fundição Escola de Artes e Ofícios especificamente por causa da Luteria. “Um amigo me falou que aqui eu poderia aprender a fazer violões. Tenho aprendido bastante e com essa bolsa-auxílio consigo fazer outros cursos e me qualificar. Futuramente, pretendo montar uma oficina em minha casa, pois o violão é minha paixão”, declarou.
Na Escola, os jovens aprendem todo o processo de fabricação artesanal de instrumentos de cordas.



Violões, cavaquinhos, bandolins, rabecas, viola caipira e contra-baixo cello são confeccionados a partir de madeiras como ébano, jacarandá, ipê, cedro, caxeta e pinho. A matéria-prima é, em sua maioria, comprada pela Fundação Rio das Ostras de Cultura, mas a Escola, por vezes, recebe doações. Quando finalizados, os instrumentos são direcionados à Escola de Música, na qual a população também tem a oportunidade de se profissionalizar nessa arte, gratuitamente, uma vez que se trata de mais um projeto artístico-social da Fundação de Cultura.

Responsabilidade ambiental
Da arte da imaginação surgiu, recentemente, na Escola de Luteria mais um instrumento de cordas: a “violata” (foto acima)– uma rabeca confeccionada a partir do reaproveitamento e reciclagem de material. O corpo do instrumento é uma lata antiga de aguarrás, as cordas – único material novo – são presas por um tubo de ferro galvanizado, fio de telefone, borracha de câmara de ar e madeira; parte da vara é confeccionada com crina – tudo reaproveitado. “Essa rabeca é a prova de que a partir da necessidade podemos criar e ainda difundir a cultura e preservar a natureza”, avalia o lutier e criador da peça, Alexandre Marinho, contando que já utiliza o instrumento nos shows de forró pé-de-serra realizados pela banda da qual é componente.  
A “violata” também ficou em exposição na Casa do Jazz, espaço criado dentro do camping de Costazul, durante o Rio das Ostras Jazz e Blues Festival. Quem passou por ali ficou curioso com o instrumento. O cientista social Fábio Motta, professor da Universidade Federal Fluminense, se interessou em conhecer a Escola de Luteria e já planeja uma visita ao local com um grupo de estudantes. “Essa rabeca tem um valor imensurável porque transforma lixo em arte”.  

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