Fusão de Sadia e Perdigão ganha "não" em conselho


Sadia ainda vende US$ 6,4 bi antes de fusão com Perdigão

Negócio que criou a gigante Brasil Foods é considerado negativo a consumidor brasileiro

 
A fusão das empresas Sadia e Perdigão que criaria a empresa Brasil Foods, gigante do ramo de alimentos, ganhou um “não” em votação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O órgão que avalia a livre concorrência de mercado ainda analisa se a junção das duas empresas vai ser benéfica para o consumidor, mas não há conclusão sobre o caso.
Sadia e Perdigão anunciaram em 2008 que se uniriam para formar a Brasil Foods, gigante do setor alimentício mundial, líder na venda de carnes congeladas e processados no Brasil. O Cade avalia desde então o negócio e pode aprovar, vetar ou aprovar com restrições o negócio, estimado em R$ 80 bilhões.

O relator do caso Carlos Emmanuel Ragazzo votou pela concorrência em separado das duas empresas, colocando em risco o negócio bilionário. Para ele, a união pode ser um mau negócio para o consumidor brasileiro.
Após leitura de seu relatório em julgamento no Cade nesta quarta-feira, Ragazzo pediu que o negócio seja desfeito, alegando que traria grandes prejuízos para o mercado e para os consumidores no Brasil.
- Raramente se vê nas análises antitruste uma operação em que a probabilidade de danos ao mercado e ao consumidor se mostre de maneira tão evidente. A aprovação desse ato tem o condão [potencial] de causar o aumento de preços e danos extremos aos consumidores.
Segundo o relator, a BRF tem participação de mercado no Brasil superior a 50% em todos os segmentos em que atua. Em alguns sua dominância chega a 90%.
Os comentários do relator durante a tarde fizeram as ações da BRF na Bovespa despencarem, com o mercado antecipando o voto contrário, que se confirmou quando o mercado já havia fechado.
Após o voto do relator, o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista do processo. Com isso, a votação foi suspensa e deverá ser retomada na próxima quarta-feira, 15 de junho. Ruiz, no entanto, indicou que talvez acompanhe a posição do relator.
- Embora em sincronia com o voto do relator, dada a complexidade do caso peço vista dos autos.
A BRF informou depois da suspensão do julgamento que vai buscar uma forma de continuar existindo. O vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, Wilson Mello, criticou a posição do relator, que ele considerou radical.
- Continuamos trabalhando no sentido de encontrar uma solução negociada com o Cade. Uma solução que não leve para o radicalismo do voto que é a reprovação.

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