Irã parte para ofensiva em defesa do governo sírio e ...

 ... denuncia intervenção do Ocidente

Síria
O Irã acusou os aliados de Israel de interferência nos assuntos internos sírios, depois que países ocidentais disseram que o governo iraniano pode estar ajudando o governo da Síria a esmagar manifestantes de oposição. O Irã esmagou as manifestações antigovernamentais depois da contestada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2009, mas expressou apoio aos levantes populares no mundo árabe, com exceção da Síria, país com o qual mantém o que chama de “linha de resistência” contra Israel. Os dois países apóiam o grupo militante palestino Hamas e o libanês Hezbollah.
– Alguns regimes com objetivos específicos, especialmente o regime sionista e a América, estão provocando grupos terroristas na Síria e na região para que realizem operações terroristas e de sabotagem – disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, a jornalistas, nesta terça-feira.

Mehmanparast endossou as afirmações do governo sírio de que os protestos na Síria, que já duram três meses, são parte de uma conspiração apoiada por potências estrangeiras.
– O regime sionista e seus defensores estão seriamente ameaçados. Essa é a razão pela qual estão fazendo o que podem para destruir esta linha de resistência contra a agressão do regime sionista – afirmou.
A Grã-Bretanha afirmou haver “informação digna de credibilidade indicando que o Irã está ajudando a Síria a sufocar os protestos, incluindo o fornecimento de orientações e equipamento.” O Irã nega essa acusação. Grupos sírios de defesa dos direitos humanos dizem que 1,3 mil civis foram mortos desde o início do levante. Uma das entidades, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, afirma que mais de 300 soldados e policiais também morreram.
– O que está acontecendo na Síria é uma questão interna.O governo e o povo da Síria são politicamente maduros o suficiente para resolver as próprias questões. Nós achamos que a América não tem de modo algum o direito de qualquer interferência militar em qualquer país na região, ou seja, a Síria. Esse é um ato errado… que pode ter conseqüências para a região – disse Mehmanparast, que alertou contra qualquer possível ação militar do Ocidente.
Pressão da França
O representante da França na ONU recorreu ao Brasil, na véspera, para que apoie o projeto de uma resolução europeia que condena a Síria por sua sangrenta repressão a manifestantes contrários ao governo. O Brasil, assim como Índia e África do Sul, no entanto, expressa restrições à resolução preparada por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal. Rússia e China sugeriram que poderão vetar o texto.
O resultado, disseram diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU), é um impasse no Conselho de Segurança composto por 15 países. Permanece incerto quando, e se, os europeus vão colocar o documento em votação.
– O governo brasileiro denunciou o uso da força na Síria e exigiu que um processo político respondesse às aspirações do povo sírio. Esperamos sinceramente que o voto do Brasil reflita esse apoio às aspirações democráticas do povo árabe – afirmou o embaixador francês Gerard Araud ao diário conservador paulistano O Estado de S.Paulo.
Araud disse que o projeto de resolução “não tem outro objetivo a não ser encorajar as autoridades sírias a considerar as aspirações de seu povo e lançar um diálogo político nacional sem interferência estrangeira”.
– Para que isso aconteça, a violência tem que acabar – acrescentou Araud.
Diplomatas do Conselho de Segurança se reuniram no sábado na expectativa de superar o impasse sobre o projeto de resolução. O documento não iria impor sanções à Síria, mas condená-la pela repressão e sugerir que as forças de segurança sírias poderiam ser culpadas por crimes contra a humanidade. Rússia e China não apareceram para a reunião, disseram diplomatas.
Impasse mantido
Na semana passada, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse a repórteres em Nova York que a resolução condenando a Síria poderia inflamar as tensões na região. Diplomatas ocidentais sugeriram que Rússia e China estão usando as posições dos outros membros dos Brics — Brasil, Índia e África do Sul — como pretexto para possivelmente vetar a resolução europeia.
– A (discussão) síria é um impasse, com Rússia e China se escondendo atrás de Índia, Brasil e África do Sul. Vergonha absoluta – protestou à agência inglesa de notícias Reuters um diplomata ocidental que preferiu não se identificar.
Se Brasil, Índia e África do Sul mudarem suas decisões sobre a resolução e concordarem em votar a favor, Rússia e China podem mudar suas posições, acredita o diplomata não identificado. Potências ocidentais, segundo outro diplomata, que também pediu para não ser nominado, tem usado canais bilaterais para pressionar Brasil, Índia e África do Sul a votar pelo texto da resolução. A Rússia afirmou que uma ação contra a Síria por parte do Conselho de Segurança abriria caminho para uma intervenção do Ocidente como aquela que acontece na Líbia.
A ONU não está patrocinando a resolução síria, mas deixou claro que apoia o texto e condena a violência contra manifestantes. No sábado, a entidade acusou o governo da Síria de criar “uma crise humanitária” e exigiu que o país acabasse com sua ofensiva. Devido às complicadas relações do Líbano com sua vizinha Síria, diplomatas disseram esperar que o país votaria contra a resolução.
Para serem aprovadas, resoluções precisam de nove votos a favor e de nenhum veto dos cinco membros permanentes: Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos.

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