Ministro da articulação nem saiu e PT já briga pelo cargo

Dividido, PT negocia substituto para Luiz Sérgio antes de demissão oficial

Ministro de Relações Institucionais, responsável por articulação política do governo, é humilhado por seu próprio partido e discute hoje com a presidente futuro da pasta

BRASÍLIA - O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) ainda está sentado na cadeira de ministro de Relações Institucionais, mas é peça fora do governo. Humilhado com o processo sucessório deflagrado "antes da hora" por seus próprios companheiros de PT na Câmara, o ministro "por enquanto" tem um encontro nesta sexta-feira, 10, com a presidente Dilma Rousseff para decidir o futuro da articulação política do governo.


Ontem (9), assessores do Planalto cogitavam os nomes do deputado Pepe Vargas (PT-RS), da ministra da Pesca, Ideli Salvatti (PT-SC), e do líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), como substitutos de Luiz Sérgio.


 Christiane Samarco e Denise Madueño
Petistas e aliados têm pressa de concluir a formatação do novo esquema de articulação política do governo e negociavam nesta quinta nos bastidores, sem constrangimentos, a substituição de Luiz Sérgio, que deixou claro o desconforto. Mas o PT sabe que a presidente é quem definirá o "timing" da sucessão. A bancada petista da Câmara, que disputa o posto de interlocutor do Planalto em clima de racha interno, passou as últimas horas empenhada em fechar um acordo para indicar o sucessor de Luiz Sérgio.
Ao final do dia, no entanto, não havia sequer a garantia de que um eventual entendimento seria acatado por Dilma. Apesar da expectativa de uma definição ainda nesta sexta ou no fim de semana, o clima no PT é de preocupação.
Um dirigente do partido que acompanha de perto as negociações admite que Luiz Sérgio pode ter de prolongar sua estada no ministério por mais uma semana, até que o Planalto encontre uma solução.
Interlocutores da presidente apontam dois problemas na busca do entendimento. Primeiro, Dilma ainda não está convencida de que a bancada do PT na Câmara consiga encontrar um nome consensual para o posto que pacifique as brigas internas, de modo que não haja risco de o racha interno ser levado ao gabinete presidencial nem de arrastar a crise com nova perspectiva de fogo amigo. Em segundo lugar, a presidente tem dúvidas de que o eventual acerto produzido na Câmara seja útil ao governo.

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