No Rio, Polícia Científica do Rio encontra até veneno para matar barata em cocaína vendida na cidade

Mistura de substâncias às drogas potencializa ainda mais efeito negativo

Fabio Gonçalves/ Agência O Dia
Fabio Gonçalves/ Agência O Dia
Cocaína vendida no Rio, mesmo misturada com outros elementos, é menos nociva à saúde do que o crack e o oxi
 
A Polícia Científica do Rio de Janeiro descobriu substâncias como fermento em pó, anestésicos, cafeína, mármore em pó, cimento branco, pó de giz e até mesmo veneno para matar baratas misturadas à cocaína que é vendida na cidade. De acordo com as análises, os produtos são incluídos na composição final da droga para que esta renda além do normal e a venda se torne bem mais lucrativa para os traficantes.
Essa mistura, segundo o ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), potencializa ainda mais os efeitos negativos da cocaína, do crack e também do oxi sobre o organismo. As três drogas têm a mesma origem - pasta-base extraída da folha de coca - no entanto, a cocaína, mesmo sendo misturada com outras substâncias, é menos nociva à saúde. Já o crack é até 40 vezes mais potente que ela e o oxi é ao menos 40 vezes mais forte que o crack.  

A explicação é que, enquanto a cocaína passa por um processo de purificação durante o refino, que é a sua transformação em pó, o crack e o oxi, que são considerados drogas sujas, guardam as impurezas, como os solventes misturados para a obtenção da pasta-base.
Outra justificativa é o fato dessas drogas serem fumadas e não inaladas, como a cocaína. De acordo com o ICCE, ao serem fumados, o crack e oxi vão direto para os pulmões e chegam ao cérebro rapidamente. Ao ser inalada, a cocaína é absorvida pelo organismo através das mucosas, de forma mais lenta. Com isso, o usuário demora a sentir vontade de usar a droga novamente.
 
A diretora do Nepad (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas), Ivone Ponczek, alerta que quanto mais misturada, mais nociva a droga é, seja cocaína, crack ou oxi.
- Essa gradação da cocaína para o crack e para o oxi é um bom exemplo de como é possível transformar uma droga que já era altamente prejudicial em algo ainda pior.
Crack e oxi
No crack, os solventes mais usados são gasolina, diesel e querosene. A mistura deles com a pasta-base e com bicarbonato de sódio dão origem à droga, assim que são submetidos ao fogo. Parte dessa mistura evapora; o que sobra empedra e vira crack. O nome da droga vem do barulhinho que ela faz quando vira a pedra.
Já a composição do oxi ainda não é conhecida pelas autoridades. O ICCE está desenvolvendo um método inédito no Estado para identificar a droga. Segundo o diretor do instituto, Sérgio Henriques, dentro de dez dias, a polícia terá como diferenciar o oxi do crack.
Ivone Ponczek acredita que é difícil saber os elementos que compõem o oxi devido ao seu processo de fabricação ser menos elaborado do que o do crack.
- O crack ainda precisa de algumas experiências para ser fabricado. Já o oxi é mais simples, o que é preocupante. Cada pessoa cria sua própria fórmula para a droga. Isso deixa o produto menos controlável.

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