Porto Maravilha despeja escolas de samba da zona portuária


Agremiações ocupam terreno da União e terão 30 dias para deixar o lugar

Agência Estado / Foto Arena
RENASCER
Campeã do grupo de acesso A 2011, a Renascer de Jacarepaguá é umas das 12 escolas que deixarão o terreno da RFF

Por conta da revitalização da zona portuária do Rio, 12 escolas de samba do grupo de acesso terão que deixar a região em 30 dias. As agremiações ocupam o terreno da antiga REF (Rede Ferroviária Federal), na praça Marechal Hermes, no Santo Cristo. No espaço, será construído o Porto Olímpico, projeto que vai abrigar vilas, centro de convenções e hotéis para as Olimpíadas de 2016.



Carlyle Jr. e Gabriela Pacheco

A CDURP (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto), que administra as obras do Porto Maravilha, informou que a remoção das escolas de samba foi marcada para a última segunda-feira (27). No entanto, segundo o CDURP, a retirada foi adiada por causa da grande quantidade de carros alegóricos.
Famílias e comerciantes que também ocupam os prédios da RFF terão que deixar o lugar. De acordo com a prefeitura, o terreno pertence à União, que entrou com uma ação de reintegração de posse na Justiça Federal. A prefeitura ainda informou que Secretaria Municipal de Habitação já trabalha para regularizar a situação das famílias despejadas.

Novos espaços
O presidente da Lesga (Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso), Reginaldo Gomes, disse que a Riotur já procura espaços no Caju, na zona portuária, e em Benfica, na zona norte, para abrigar as seis escolas de samba do grupo B.
- A Riotur e a prefeitura se comprometeram em arcar com as despesas da transferência das escolas para outros espaços.
Campeã do grupo de acesso A 2011, a Renascer de Jacarepaguá espera a entrega do novo barracão na Cidade do Samba. O presidente da agremiação, Antônio Carlos Salomão, disse que a mudança para fábrica do Carnaval carioca deve acontecer no fim de julho.
- Acho que já estaremos no novo barracã o no fim de julho. Isso só não aconteceu antes por causa do incêndio [no fim de fevereiro, um incêndio destruiu quatro barracões na Cidade do Samba]. A princípio, vamos ocupar o primeiro andar, já que o segundo ainda estará em obras.

A AESCRJ (Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) informou que as cinco escolas do grupo C, D e E que têm barracões no terreno da RFF vão ocupar novos endereços em Madureira, na zona norte do Rio.

Cidade do Samba 2

No fim de janeiro, o prefeito Eduardo Paes anunciou a construção de uma nova Cidade do Samba na zona norte da cidade para abrigar os barracões das escolas do grupo de acesso. Na ocasião, Paes lembrou que o Porto Maravilha criaria restrições para a utilização de galpões e espaços no entorno da zona portuária. 

- Nós precisamos encontrar alternativa, principalmente, para as escolas do grupo de acesso. A Prefeitura está buscando algumas áreas no entorno de Benfica e São Cristóvão para fazer uma Cidade do Samba 2. Mas, não há nada fechado ainda. É uma ideia, uma busca. Estamos fazendo um trabalho de pesquisa para, se Deus quiser, começar a fazer essa Cidade do Samba 2. Nós temos tempo para isso. As obras do Porto não começam amanhã. Então, temos uns dois, três anos para dar solução a esse problema.

Comentários