Professores da rede estadual apoiam protesto dos bombeiros ...

... que permanecem acampados em frente à Alerj


André Muzell / R7
André Muzell / R7
Bombeiros do Rio de Janeiro que reivindicam melhores condições de trabalho e reajuste salarial permaneciam acampados em frente à Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), no centro da capital fluminense, na manhã desta quarta-feira (8).
Eles hastearam a bandeira do Brasil mais uma vez e colocaram faixas na escadaria do prédio. Professores da rede estadual de ensino que estão em greve
desde ontem (7) apoiam o protesto.
Ministério Público deve analisar legalidade da prisão dos bombeiros 

O Ministério Público do Rio de Janeiro pode analisar nesta quarta-feira a legalidade das prisões dos 439 bombeiros, detidos após invasão ao Quartel Central da corporação, no centro do Rio, na última sexta-feira (3). A categoria protestava por melhores salários e condições de trabalho. 



Na última terça-feira, o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de janeiro) recebeu os autos da prisão em flagrante com identificação e depoimentos de cada um dos 439 soldados. A juíza Ana Paula Pena Barros, da Justiça Militar, encaminhou os documentos para o MP analisar.

Segundo o TJ-RJ, depois de analisados, os autos voltarão para Justiça Militar que decidirá se mantém os bombeiros presos ou se eles responderão em liberdade.

Ainda na terça-feira, a Defensoria Pública do Rio entrou com pedido de liberdade provisória dos bombeiros presos. O defensor público geral Nilson Bruno Filho justificou que não há necessidade de manter os soldados detidos, pois eles têm residência fixa, são servidores públicos e não têm antecedentes criminais.

- Vamos aguardar a decisão da Justiça. Normalmente, esse pedido é encaminhado para o Ministério Público para que se manifeste. O despacho deve acontecer nesta quarta ou na quinta-feira (9). 
Entenda o caso
Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.
A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.
Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.
Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, só que para o quartel do bairro Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.
Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007. Segundo ele, com todas as bonificações e reajustes previstos, até o fim do ano, os bombeiros terão um salário muito próximo ao que é reivindicado.
Os bombeiros presos serão autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão. Inconformados, alguns iniciaram greve de fome como mais uma forma de protesto.
Apesar das baixas, o comando-geral do Corpo de Bombeiros informou que a rotina de atendimento à população está mantida e que os substitutos dos bombeiros presos assumiram seus postos.

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