Queda de Palocci deve ter impacto contido nos mercados

 

Charge de Aroeira para O Dia (RJ)

- O mercado financeiro aprendeu que existem fundamentos para política econômica… Não é algo que deva impactar muito os ativos – disse o estrategista-chefe do banco Westlb, Roberto Padovani. Palocci entregou na terça-feira à presidente Dilma Rousseff carta pedindo afastamento do cargo, após semanas de pressão e acusações desde que o jornal Folha de S. Paulo publicou em maio que seu patrimônio cresceu 20 vezes em quatro anos. A senadora petista Gleisi Hoffmann (PR) assumirá a chefia da Casa Civil.

Na opinião do gestor de renda fixa e derivativos da Brasif Gestão, Carlos de la Rocque, os mercados podem até esboçar alguma reação negativa no início da quarta-feira, mas isso deve durar pouco.
- Pode até ter um impacto logo no início do dia, mas nada de anormal, se (o DI) subir é para cair depois. A saída do Palocci não foi nenhuma surpresa, já estava meio que no radar no mercado – afirmou.
Já o estrategista para a América Latina do BofA Merrill Lynch, David Beker, acredita que o fato de Palocci ter um perfil mais em sintonia com investidores pode favorecer alguma influência sobre os mercados na quarta-feira.
- Os participantes do mercado têm digerido as notícias nas últimas semanas, o que pode limitar o impacto sobre o mercado. Porém, ainda esperamos que a curva de juros incline (para cima) e alguma depreciação marginal do real com as notícias.
Os mercados acionário, de câmbio e de DI repercutiram de modo discreto nas últimas semanas a crise envolvendo o ex-chefe da Casa Civil. Na terça-feira, o Ibovespa teve leve alta, enquanto o dólar e as projeções de juros recuaram.
- Você tem dois lados da história. A queda do Palocci é ruim de certa forma porque ele tinha um viés mais próximo do mercado, era um ministro mais alinhado com a visão dos investidores – disse analista econômico José Goes, da WinTrade.
- Por outro lado, viramos uma página, encerramos um assunto.
O diretor da Moody’s para a América Latina, Alfredo Coutino, acredita que o governo conseguirá superar a saída de Palocci e que Dilma poderá até fortalecer sua liderança.
- Acho que a presidente Dilma vai facilmente superar a saída dele (Palocci) e que suprirá sua falta ou com um novo auxiliar ou fortalecendo sua própria liderança – afirmou.
- Ninguém é indispensável.

Segunda queda
O ex-chefe da Casa Civil também havia sido ministro da Fazenda no primeiro mandato do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Palocci –primeira baixa de Dilma– renunciou do comando da Fazenda em 2006 após um escândalo envolvendo a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, que acusara o então ministro de receber com frequência em sua casa grupos que faziam lobby junto ao governo federal.
Agora, sobre o aumento de seu patrimônio, Palocci negou que os rendimentos de sua empresa de consultoria Projeto tenham sido resultado de suposto tráfico de influência. Ele se recusou a revelar os nomes dos clientes para os quais prestou serviços, o que manteve delicada sua situação.

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