Quem votar para o FMI

Mantega diz que Brasil ainda não decidiu

Lagarde
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o Brasil ainda está avaliando qual candidato apoiar para a chefia do Fundo Monetário Internacional (FMI) e que o assunto está sendo discutido “com outros ministros”. O Brasil está mais inclinado a apoiar a candidata francesa Christine Lagrade, segundo fontes, mas as articulações políticas com os demais países emergentes também serão cruciais para definir um nome de consenso. Além da ministra francesa, concorrem ao posto o candidato mexicano Agustín Carstens e o presidente do banco central de Israel, Stanley Fischer.

Fischer conta, de saída, com o apoio do Nobel da Economia, Paul Krugman, embora considere a francesa Christine Lagarde favorita para o lugar de gerente-geral do FMI. Ela, no entanto, na opinião de Krugman, não é a melhor opção para o cargo em questão, afirmando que preferia o governador do Banco Central de Israel. O economista escreveu no seu blogue que a sua escolha para o cargo de vai para o governador Fischer, considerando-o como alguém com vontade “de desafiar as visões convencionais”.
O Nobel da Economia acredita, ainda, que Stanley Fischer “é alguém que analisa os conselhos convencionais e cautelosos dos comitês, vê os seus pontos fracos e avança para soluções reais”. A francesa Christine Lagarde deixa algumas reservas para o economista que a considera, no entanto, uma pessoa “impressionante”, mas não com um pensamento econômico forte e independente.

Sem apoio
Outro candidato em campanha para a diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens, visitou autoridades indianas, incluindo o primeiro-ministro, Manmohan Singh, em busca de apoio à sua candidatura, na semana passada. Carstens descreveu a interação com os membros do governo indiano como “muito positiva”, embora não tenha recebido qualquer apoio oficial a sua candidatura. Carstens, numa entrevista ao Wall Street Journal, disse que ele e Singh compartilharam “muitas visões comuns” sobre os desafios enfrentados pelos mercados emergentes, bem como a crença de que o processo de seleção para o próximo diretor do FMI deverá ser baseada no mérito.
– Nós temos dito que precisamos de uma representação maior, que nossa voz precisa ser ouvida e que temos alguma coisa para contribuir. Então meu incentivo aos mercados emergentes é justamente o de agir de acordo com o que eles têm proclamado – afirmou o presidente do BC mexicano.
Ao descrever seu encontro com Singh, Carstens afirmou que eles discutiram a “enorme lacuna” existente entre a grande contribuição dos países em desenvolvimento para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial e sua participação relativamente pequena no FMI. “Isso precisa ser estreitado”, disse ele, acrescentando que espera que a Índia tenha papel e representação maiores na principal instituição financeira do mundo.
Carstens segue em campanha, esta semana, pela China, segundo informações da embaixada mexicana. Ele se encontrará com o presidente do Banco do Povo da China (PBOC, banco central do país), Zhou Xiaochuan, o ministro das Finanças chinês, Xie Xuren, para discutir sua candidatura.
Carstens compete com a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, vista como a principal candidata para a diretoria do Fundo. Christine, que esteve na África onde participou de uma conferência do Banco Africano de Desenvolvimento, recebeu apoio da ministra para Planejamento Econômico e Integração da Guiné-Bissau, Helena Embalo, para sua candidatura.

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