Após 15 demissões, Ministério dos Transportes pode ter novas baixas nesta quinta-feira


Luiz Antonio Pagot, diretor do Dnit, disse que aguardaria até hoje a definição de seu destino

Após 15 demissões ocorridas nos últimos dois dias, o Ministério dos Transportes pode sofrer uma nova baixa nesta quinta-feira (21). O diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, disse nesta semana que aguardaria até hoje o desfecho de seu destino no governo. Ele pode sair definitivamente do cargo.

O afastamento de Pagot, que está de férias, foi pedido pela presidente Dilma Rousseff quando começaram a ser divulgadas denúncias de corrupção envolvendo obras e contratos do Dnit, no início do mês. O funcionário, porém, deu sinais, nas últimas semanas, de que não está disposto a abandonar seu posto.

Na terça (19), o diretor do Dnit afirmou que aguardaria uma decisão de Dilma. Originalmente, ele deveria ter saído no dia 4 de julho. Mas, devido a suas férias, a presidente ficou sem saber o que fazer.

Pagot passou os últimos dias conversando com seu padrinho político, o senador Blairo Maggi (PR-MT), que na semana passada pediu à presidente que definisse logo o caso.

Em depoimentos que concedeu ao Senado e à Câmara, o servidor falou sobre as ações do Dnit, explicou que o órgão apenas executa projetos, admitiu irregularidades, mas disse que ainda tinha esperanças de poder permanecer na função.

Apesar da pressão em favor de sua manutenção, o mais provável é que a presidente ratifique sua decisão e afaste Pagot do Dnit.

“Faxina”

Nesta quarta-feira (20), mais três servidores do Ministério dos Transportes foram demitidos. O grupo se juntou a outros 12 que já haviam sido afastados.

Em sua edição de ontem, o Diário Oficial da União informou que o servidor Eduardo Lopes pediu sua própria exoneração, que foi aceita e assinada pelo ministro Paulo Sérgio Passos.


A estatal Valec, que cuida de ferrovias e também está sob suspeita de desvios, teve outros dois funcionários demitidos: Cleilson Gadelha Queiroz, que era gerente de licitações e contratos, e Pedro Ivan Guimarães Rogedo, que trabalhava como assessor.

Todos eram comissionados - ou seja, entraram no serviço público sem concurso, por indicação política.

Desde que surgiram na imprensa denúncias de direcionamento de licitações e pagamento de propina em obras tocadas pelo Ministério dos Transportes, pelo Dnit e pela Valec, 15 servidores da cúpula da pasta e dos órgãos já caíram. Alfredo Nascimento, que comandava o ministério desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu demissão.

A maioria dos demitidos tem ligação com o PR, suposto beneficiário do esquema de corrupção.

No Dnit, além de Pagot, pode cair também o diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, ligado ao PT e responsável pela aprovação de aditivos nos contratos, que encarecem as obras e são motivo de insatisfação da presidente Dilma.

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