Camareira que denunciou Strauss-Kahn diz estar 'magoada' com acusações


Em entrevista à Newsweek, Nissatou Diallo quis corrigir o imagem errado que os meios de comunicação e o ex-diretor do FMI fizeram dela e declarou querer ver francês na cadeia


WASHINGTON - Mulher que acusou de abuso sexual o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, confessou ontem (24),  se sentir magoada com aqueles que disseram que ela era uma "prostituta" e lamentou que em poucas horas passou de vítima a acusada.
Reuters
Nissatou Diallo, de 32 anos, rompeu seu silêncio em uma extensa entrevista à revista Newsweek porque, segundo disse, queria corrigir a imagem errada que os meios de comunicação fizeram dela.
"Por culpa dele [Dominique Strauss-Kahn] me chamam de prostituta. Quero que ele vá para a prisão. Quero que saiba que há alguns lugares nos quais não pode usar seu poder, nem seu dinheiro", lamenta.
A imigrante guineana conta na revista que foi agredida quando trabalhava como faxineira em um hotel de Nova York.
Segundo seu relato, após perguntar se havia alguém e não obter resposta, entrou para limpar um quarto que achava que estava vazio, quando apareceu Strauss-Kahn nu, que se dirigiu em sua direção.
Diallo pediu desculpas e se apressou para ir embora, mas Strauss-Kahn, segundo sua versão dos fatos, tentou agarrar seus seios, bloqueou sua passagem e a empurrou para a cama.
A mulher tentou dissuadir Strauss-Kahn dizendo que seu supervisor estava na porta, mas, segundo ela "o homem disse que não havia ninguém lá fora e ninguém ia escutar".
A jovem detalha como ele a obrigou a manter sexo oral enquanto a agarrava tão forte que lhe deixou marcas no corpo e lhe causou uma lesão parcial de um ligamento no ombro esquerdo, segundo o relatório médico.
Em repetidas ocasiões diz que temia perder seu trabalho e não sabia o que fazer. Finalmente contou a seu supervisor e chamou a polícia.
Diallo assegura que não sabia quem era aquele homem e quando no dia seguinte viu nas notícias que se tratava do futuro candidato à Presidência da França pensou "agora todo mundo vai dizer de tudo sobre mim".


Nissatou Diallo, de 32 anos, à esquerda, sustenta a versão de absuso sexual


Strauss-Kahn não contou a versão dos fatos, mas, segundo disse à revista um de seus advogados, William Taylor, considerou que hoje se está tentando pressionar os promotores com este "teatro".
Viúva, mãe de uma menina adolescente e analfabeta conta que foi estuprada por dois militares em seu país e que solicitou o asilo político nos EUA porque quando era menina sofreu a ablação - a mutilação parcial dos genitais.
As condições nas quais chegou ao país como imigrante, um possível passado como prostituta, sua relação com um homem de Serra Leoa "ao qual considerava amigo", preso por causa de drogas, levantaram todo tipo de comentários e suspeitas contra ela.
A promotoria assinalou, além disso, que a mulher mentiu durante a investigação sobre o ocorrido imediatamente depois do incidente no hotel Sofitel, já que segundo um escrito judicial reconheceu que tinha acrescentado algumas coisas a seu testemunho.
Mas ela defende que manteve seu testemunho todo o tempo. "Contei a vocês o que este homem me fez. Nunca mudei".
Dominique Strauss-Kahn, de 62 anos, foi detido em 14 de maio quando ia tomar um avião rumo à França, após ser acusado de sete delitos relacionados com essas acusações, foi-lhe imposta uma multa e a prisão domiciliar em condições restritivas.
No entanto, se encontra desde o dia 1º de julho em liberdade condicional sem fiança depois que a Promotoria de Manhattan divulgou que em sua investigação tinha encontrado elementos que debilitavam o que a litigante disse.
Naquele dia, o juiz determinou que fosse liberado, devolvida sua fiança de um milhão de dólares e o aval bancário por outros cinco depósitos que fez algumas semanas antes para sair da prisão nova-iorquina de Rikers Island.

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