Caso Romário: testemunha diz que foi convidada a investir na Pirâmide e acabou levando calote



Romário deixa a carceragem da 16ª DP (Barra) um dia após ser preso por não pagar pensão alimentícia. Foto: Fabiano Rocha / 15.07.2009




Marcelo Gomes

Pelo menos uma testemunha ouvida no inquérito 046/2010 da Delegacia de Defraudações (DDEF) confirmou ter sido convidada a investir no jogo de azar conhecido como Pirâmide, Contêiner ou Roda da Fortuna. O esquema, que usaria como fachada um investimento em importações, segundo a polícia, teria tido o financiamento do ex-jogador e atual deputado federal (PSB) Romário.


Trata-se de um engenheiro, que foi ouvido na especializada em 4 de março do ano passado. Ele afirmou ter sido convidado a entrar na pirâmide por Luilson Cabral Lopes, dono da revendedora de carros Ecletic Car Multimarcas Veículos Ltda., na Avenida das Américas, na Barra.
O engenheiro disse ter deixado três carros (Honda Civic, Jetta e Chrysler) na loja de Luilson, para serem vendidos em consignação, no valor de R$ 190 mil. Em troca, contou ter recebido cheques sem fundos. Ao voltar à loja, o estabelecimento estava fechado e Luilson, desaparecido. Revoltada, a vítima registrou o caso na 16ª DP (Barra).
Segundo o depoimento, em conversas com Luilson antes do calote, ele disse ao engenheiro que, se aplicasse R$ 100 mil no esquema, teria um lucro de R$ 40 mil. Ainda de acordo com o depoimento, Luilson aceitava até carros, mas preferia que o investimento fosse em dinheiro vivo. Numa das conversas, Luilson teria dito ao engenheiro que Romário e outros jogadores participavam da pirâmide.
Investigadores da DDEF tentaram intimar Luilson, mas ele não foi localizado. A mãe e o irmão dele foram ouvidos e disseram não saber do seu paradeiro. O irmão disse que a última vez que tinha visto Luilson foi em julho de 2008, quando o levou a um hospital em Jacarepaguá com sintomas de depressão. O EXTRA tentou falar com Luilson por telefone, mas não o encontrou.

Aplicação com rendimento de 30%
Outra pessoa ouvida no inquérito da pirâmide foi um sócio de Jorge Alexandre Tavares Domingues, o Índio, numa oficina mecânica. Alexandre é suspeito de ser o "cabeça" da Pirâmide.
O sócio disse à polícia que foi convidado por Alexandre a para participar de um investimento que poderia lhe render 30% de rendimento por mês: a tal aplicação se referia ao desembaraço de mercadorias importadas no porto. O sócio, porém, acrescentou que Alexandre nunca o convidou para participar da Pirâmide.
O homem, ouvido em 29 de abril de 2010, admitiu aos policiais que conhece Luilson desde os tempos de infância, e que chegou a consertar alguns carros dele na oficina, mas disse desconhecer seu paradeiro.
O delegado Fernando Vila Pouca, da DDEF, remeteu ontem o inquérito ao Ministério Público, para que o mesmo seja encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, já que Romário — eleito deputado federal — possui foro privilegiado. Nesta terça-feira, por mais uma vez, a assessoria do parlamentar informou que ele estava fora do país, e não respondeu às perguntas do EXTRA.

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