Dilma desembarca no Peru para tratar de crise dos países ricos


Além da cerimônia de posse de Ollanta Humala, presidente brasileira participará da reunião da Unasul para reforçar a união do continente perante os problemas econômicos enfrentados nos Estados Unidos e Europa

LIMA, PERU - Com mais de uma hora de atraso, por causa de um vento de mais de 140 quilômetros por hora que enfrentou no caminho, a presidente Dilma Rousseff desembarcou em Lima, Peru, para participar da cerimônia de posse do novo presidente peruano, Ollanta Humala, e da reunião da Unasul, marcada para a tarde desta quinta-feira, 28, para discutir a necessidade de integração da região, diante dos problemas econômicos enfrentados por Estados Unidos e países da União Europeia. A presidente não quis conversar com a imprensa na sua chegada.



Tânia Monteiro


Dilma permanece menos de 24 horas no País e participa não só das duas solenidades de posse e transmissão do cargo, no Congresso e no Palácio de Governo, na manhã desta quinta-feira. Depois, comparece ao almoço com os 14 presidentes que confirmaram presença no evento e da reunião da Unasul, quando o Peru vai reiterar a sua disposição de defender a integração do continente.
O assessor internacional da presidente Dilma, Marco Aurélio Garcia, em entrevista, ao chegar ao hotel onde a comitiva ficará hospedada, citou a importância da realização da reunião da Unasul neste momento em que os Estados Unidos e a Europa estão enfrentando graves problemas econômicos e salientou que, por isso mesmo, é preciso fortalecer a integração da região. “Não se pode omitir os fatos de que uma crise nos países centrais vai ter consequências sobre nós. Portanto, a unidade da região é fundamental”, disse ele, lembrando que problemas econômicos que estão sendo enfrentados pelos Estados Unidos e Europa certamente estarão no cenário da reunião da Unasul.
“Não só a situação dos Estados Unidos, que evidentemente tem uma incidência maior sobre a região, mas também a situação europeia porque se tivermos um movimento de recessão muito forte por mais autossuficiente que nos sejamos, por mais que estejamos apostando, acertadamente no mercado interno, é obvio que, sobretudo aqueles países que estão mais centrados nas exportações e o Peru é um deles vão se ver comprometidos e vão ter de fazer uma reorientação”, observou.
Segundo Marco Aurélio, estes movimentos reforçam a aposta brasileira do governo da importância do mercado sul americano. “Aqueles que pensavam no passado que a grande solução era aliança com países desenvolvidos em termos comerciais estão se dando conta, aos poucos, que talvez o nosso futuro esteja aqui ou em outros países emergentes como a China ou a Índia”, declarou. Para Marco Aurélio, “o continente tem de estar preocupado com a situação mundial porque estamos assistindo modelos econômicos derretendo e com riscos muito grandes para os países que estão se saindo bem no momento atual, a despeito de tudo isso”, disse, referindo-se ao Brasil. Ele afirmou ainda que não haverá discussão de questões aduaneiras na reunião da Unasul.
Segundo Marco Aurélio, a presença da presidenta na posse é importante porque Humala elegeu-se com um programa muito sintonizado com as mudanças que estão ocorrendo na América do Sul e no Brasil em particular. “Nós temos de associar crescimento com distribuição de renda, Não basta só crescer e a população ficar aos Deus dará”, disse Marco Aurélio, que se referia à intenção dos peruanos de reforçarem o seu programa de apoio às populações carentes do país.
Hoje, 481 mil famílias peruanas recebem o bolsa família local que se chama Juntos. Mas, o programa tem graves problemas de irregularidades com duplo cadastramento de pessoas atendidas. O Peru quer ajuda do Brasil para importar o modelo de cadastro único de benefício e quer encontrar uma porta de saída para as famílias atendidas. Hoje, 34% da população do país, que é de 30 milhões de habitantes vive em situação de pobreza extrema.

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