Hoje na História

28 de julho de 1950 - Bicentenário de morte de Johann Sebastian Bach
Bicentenário de Johann Sebastian Bach. Jornal do Brasil: Domingo, 23 de julho de 1950.

"Iniciando-se a semana em que se comemora o bi-cenentário da morte de Johann Sebastian Bach, é dever de todos que se interessam pela música, evocar o nome daquele que a elevou às esferas supremas, oferecendo à humanidade as harmonias mais perfeitas e mais puras que já foram concebidas por cérebros humanos. Passaram-se dois séculos de sua morte e sua sublime inspiração ecoa em nossos ouvidos através de sua portentosa obra, e assim, continuará permanente na devoção artística dos pósteros, desafiando os séculos". Jornal do Brasil

Johann Sebastian Bach, descendente de família de músicos por seis gerações, nasceu em 21 de março de 1685 em Eisenack, na Alemanha. Embora tenha aprendido com seu pai as primeiras noções musicais, sua criação, motivada pela orfandade precoce, ficou sob responsabilidade de seu irmão mais velho, Johann Christoph, exímio organista que lhe incentivou nos estudos musicais. Em poucos anos, dominaria com segurança diversos instrumentos, adquirindo a celebridade ao órgão e ao cravo.

Em lugar das distrações próprias de sua idade, adorava ouvir os grandes mestres de sua época - Johann Adam Reinken, Dietrich Buxtehude, Johann Pachelbel. foi observando-os e estudando sua performance em suas obras que conseguiu o mais completo desenvolvimento de sua técnica. A arte dos grandes concertos que assistia inspiravam-no na busca de criações grandiosas e punha-se a improvisar no cravo e no órgão, revelando uma tal exuberância de imaginação e um estilo tão pessoal que seus exercícios se transformavam em obras-primas.

Debaixo de seus dedos, nascia uma nova linguagem musical. Bach possuia mãos grandes e dedos ágeis, de extraordinário alcance no teclado. Ele próprio afinava seus instrumentos, neles introduzindo ousadas modificações. A música brotava naquele cérebro privilegiado com incrível facilidade permitindo-lhe compor uma obra imensa: Prelúdios, Fugas, Tocatas, Sonatas, Partitas, Suites, Concertos, Cantatas.

Grande foi Bach como músico, pai de família e professor. Foi mestre de seus filhos e de sua segunda esposa, intérprete de sua obra. Considerado um sujeito simples, voltado ao recolhimento, dispensava a vida pública de salões, motivo talvez pelo qual sua obra só tenha repercutido um século depois de sua morte.

Um ano antes de morrer, ficou cego. Não deixou, porém, de compor e trabalhava na Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge) - sua útlima obra - quando sentindo declinar suas forças, chamou um de seus filhos e ditou o desfecho de sua última produção, concebida como um adeus à música.



Em torno ao seu leito, encontrava-se a família. Parecendo recuperar a visão, fitou a esposa, e pediu que cantasse alguma canção. Ela atendeu: "Todos os homens marcham para a morte"... 

E foi assim que, no dia 28 de julho de 1750, com a idade de 65 anos, deixava de existir aquele que passou à posteridade como o Pai da Música e Mestre Supremo de todas as gerações.

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