MAQUIAVEL TOMA BANHO

Diário de Alexandria com Carlos Sepúlveda


            Nicolo Maquiavel, o celebrado autor de O Príncipe, livro que inscreveu a política no mundo profano, era um exilado em 1513. Fora expulso de sua mítica Florença por questões obviamente políticas.
            Como todo exilado, em todas as latitudes, Maquiavel sofria do excesso de tempo, por isso, ocupava-se de pequenas tarefas que lhe preenchessem o vazio das horas. De manhã, cuidava de sua modesta propriedade rural; de tarde, jogava cartas com os vizinhos, cada vez menos arredios.
         Mas era à noite que ele tomava um longo banho, vestia seu mais belo traje de cerimônia, sentava-se à mesa e “conversava” com o escritor romano Tivo Lívio.
            Maquiavel não achava adequado ler os livros dos homens ilustres da antiguidade sem estar convenientemente trajado, limpo e bem cuidado. Acreditava que quem está limpo, pensa limpo.

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