No Rio, professores desocupam secretaria e montam acampamento em frente ao prédio

Grevistas se reuniram  com o secretário de educação

André Paino/ R7
Barraca manifestantes
Barracas são montadas nas calçadas em frente ao prédio da secretaria
 
Os professores e profissionais do Estado, que estão em greve há mais de 30 dias, decidiram em assembleia na noite desta terça-feira (12) que os grevistas ficarão acampados até a próxima quinta-feira (14) em frente ao prédio da Secretaria de Estadual de Educação, no centro do Rio de Janeiro. 
Durante a tarde, o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, e um grupo de professores e sindicalistas se reuniram por cerca de três horas na sede da secretaria, após a ocupação do prédio. No encontro nenhum acordo foi fechado. Uma nova reunião foi marcada para a próxima quinta-feira. O subsecretário de Educação, Luis Becker, e o secretário de Planejamento, Sérgio Rui Barbosa, também receberam os grevistas. 


Para o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) a situação é grave, já que o governo não ofereceu nada relevante para os grevistas.
- No que diz respeito, por exemplo, aos funcionários administrativos, todo reajuste que o governo deu não fez o piso salarial chegar nem mesmo ao salário mínimo.
Ainda segundo Freixo, os secretários não estão conseguindo resolver o problema então a negociação com o governador Sérgio Cabral (PMDB) se faz necessária.
- A única proposta que o governo foi de uma nova reunião marcada para a próxima quinta-feira as 16 horas.
Invasão
Os
Professores invadiram a sede da pasta por volta das 12h desta terça para exigir a reunião com o representante do governo do Estado. Policiais militares do Batalhão de Choque chegaram a lançar spray de pimenta contra os manifestantes, que, mesmo assim, conseguiram entrar.
Antes de ocuparem a secretaria, o grupo se reuniu nas escadarias da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio) e depois partiu em direção ao prédio onde funciona a secretaria, na rua da Ajuda.
Os profissionais reivindicam um reajuste salarial de 26%, a incorporação imediata da gratificação do Nova Escola, e o descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativo. Com essa reivindicação, de acordo com o Sepe, o piso salarial inicial de um professor deixaria de ser R$ 766 e passaria a R$ 1.080.

O Sepe conseguiu na Justiça uma liminar no último dia 7 que impede que o governo estadual desconte os dias não trabalhados nos salários dos profissionais de educação, que estão em greve desde o início de junho. A decisão pede também que o dinheiro, que eventualmente tenha sido descontado, seja devolvido.
Na semana passada, os professores fizeram uma manifestação que reuniu cerca de 4.000 pessoas, segundo a Polícia Militar, no Largo do Machado, na zona sul do Rio. De lá, eles seguiram até o Palácio Guanabara, sede do governo estadual, e retornaram para Laranjeiras, onde, em assembleia, decidiram manter a greve.
Nota oficial
O secretário de Estado de Educação disse em nota que a invasão do prédio da secretaria foi desnecessária, pois sempre houve diálogo com a categoria.

- Desde o início da greve, esta é a quarta vez que recebemos o sindicato. Estamos abertos à negociação e ao entendimento.
No encontro, o secretário lembrou no último dia 5, o secretário anunciou que o governo antecipará, para os professores, mais uma parcela do programa Nova Escola, a de 2012 para 2011 e para o funcionários técnico-administrativos, todas as parcelas restantes do Nova Escola.
O impacto estimado no valor do vencimento-base, de junho para julho, será de aproximadamente 9,2%. O salário base do docente de 16 horas semanais, por exemplo, passará de R$ 765,66 para R$ 836,10. Essas medidas beneficiarão cerca de 167 mil servidores da educação, entre ativos, inativos e pensionistas; e representarão um esforço orçamentário de R$ 711 milhões em 2011.

O secretário reforçou que foi feito o possível com o orçamento do primeiro semestre, e lembrou que foi pedido ao sindicato que aguardasse a arrecadação ao longo do mês de junho.

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