Caso Patrícia Acioli - bicheiro ameaçou explodir juíza: 'Vai chorar sangue'


Força-tarefa assume processos de juíza morta

Três juízes e cinco promotores terão carros blindados, proteção policial e poderão pedir a transferência dos julgamentos para outras varas por questões de segurança

Uma força-tarefa com três juízes e cinco promotores começa a ocupar hoje a vaga da juíza titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, Patrícia Acioli, morta na quinta-feira. O juiz Fabio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro será auxiliado por Alexandre Oliveira Camacho de França e Claudia Marcia Vidavai. A meta é agilizar processos de crimes de milícias, grupos de extermínio e máfias das vans e dos combustíveis. A pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal vai investigar a morte de Patrícia.

Família da juíza e amigos fizeram protesto na segunda-feira | Foto: Paulo Alvadia / Agência Dia

O presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Manoel Alberto Rebêlo, garantiu que todos os magistrados da força-tarefa terão proteção. “Três juízes diluem a responsabilidade e darão resposta rápida à sociedade”, afirmou Rebêlo.
O reforço na segurança inclui o aluguel de cinco carros blindados, além dos seis existentes, e pedido de redução de impostos para a compra de mais veículos com blindagem. Por questões de segurança, eles poderão pedir a transferência dos julgamentos para os fóruns do Rio e Niterói.
O Disque-Denúncia recebeu 87 ligações sobre o crime. Ontem, amigos, parentes de Patrícia e servidores da Justiça fizeram protesto silencioso em frente ao Fórum de São Gonçalo, onde ela trabalhava. “Soubemos que domingo teve churrasco em São Gonçalo com PMs para comemorar a morte da minha prima”, denunciou Humberto Nascimento, primo da juíza.
O enteado de Patrícia Acioli, M., de 20 anos, tinha nas mãos as marcas de quando tentou quebrar o vidro do carro na esperança de salvá-la, na noite do crime. “Ainda estou muito abalado”, disse.
O presidente do TJ confirmou que a juíza não tinha escolta oficial. “Deduzo que tivesse segurança do 7º BMP até por influência do marido, que é de lá”, disse.
Ele, que usa escolta, afirmou que o serviço tira a privacidade. “É desagradável. Até para ir ao banheiro os seguranças vão junto”.
O governador Sérgio Cabral disse que a juíza não pedira proteção ao governo.

Polícia recolhe computador e vídeos de câmeras do fórum
O delegado Anderson Paiva, da Divisão de Homicídios, passou três horas ontem no gabinete da juíza investigando processos e computadores. Ele recolheu um HD com imagens das 15 câmeras do Fórum de São Gonçalo, além de documentos. As gravações registram os últimos 30 dias. A família recolheu pertences pessoais da juíza.
Parentes souberam por testemunhas que os executores de Patrícia podem ter chegado ao local do crime sem armas, de moto. Eles teriam pego as pistolas na hora do crime com ocupantes do Corolla que dava cobertura. As armas teriam sido devolvidas aos comparsas do carro após os tiros.


Parentes, amigos e ONG protestam na porta do fórum 
Amordaçados por uma fita preta, simbolizando a voz da Justiça silenciada com o assassinato de Patricia Acioli, cerca de 50 pessoas passaram a manhã de ontem em frente ao Fórum de São Gonçalo. O movimento foi organizado pela ONG Rio de Paz. Panos pretos foram pendurados nas janelas e havia papeis espalhados com o nome da juíza e rosas jogadas pelo chão. 
Primo da juíza, Humberto Nascimento disse que Patricia era cautelosa no trabalho. “Ela recebeu mais de 35 denúncias de ameaças e fazia questão de protocolar cada uma. Estamos esperançosos na investigação”, disse ele.


Presidente da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, ressaltou a coragem da juíza. “Queremos homenagear a brasileira corajosa. Os que praticam o esporte de matar sabem que não serão punidos”, disse Antonio Carlos.
A 4ª Vara Criminal teve as audiências suspensas e funcionou apenas para atendimento ao público. Ontem, a juíza julgaria o policial civil aposentado Luiz Jason Tosta Pereira, suspeito de chacina em 1994. Ele é um dos investigados no caso.

Reportagem de Adriana Cruz, Flávio Araújo, Marcos

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