Defensoria Pública vistoria nesta terça centro de treinamento de fuzileiros


A Defensoria Pública da União realiza vistoria no Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela Alves (Ciampa) na tarde desta terça-feira. Os defensores públicos federais Daniel Macedo e André Ordacgy querem obter esclarecimentos sobre a existência de outros recrutas infectados que não foram encaminhados ao Hospital Naval Marcílio Dias - e que estariam sendo tratados na própria enfermaria do Ciampa - ou que somente teriam sido levados para lá depois da visita dos defensores federais ao hospital.

Na segunda-feira os defensores visitaram os aspirantes a fuzileiros navais internados. Nenhum dos recrutas foi enfático quanto ao excesso de exercícios, mas todos foram unânimes em destacar os constantes problemas de falta de água potável, durante alguns períodos do dia, obrigando-os a beber água da torneira para aliviar a sede.
Como O DIA noticiou nesta segunda-feira, os recrutas beberam água das torneiras durante curso de formação de fuzileiros navais, e é essa a principal suspeita para a causa da infecção, que pode ter afetado mais de 77 alunos.
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Recrutas que receberam alta deixam hospital de máscaras em um ônibus e voltam para quartel | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Ontem (22), ônibus e van com pelo menos 20 passageiros — seis usavam máscaras respiratórias — chegaram ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, onde 57 alunos já estavam internados. Segundo a Marinha, parte desses jovens foram atendidos com conjuntivite. À noite, 38 dos internados tiveram alta e deixaram o hospital usando máscaras.
“Conversamos com sete alunos que relataram falta de água, não excesso de exercícios. Em dados momentos, eles eram obrigados a recorrer à água de bica para hidratação”, disse o defensor público Daniel Macedo.
Ele e o colega André Ordacgy oficiaram a direção do hospital para que os prontuários médicos dos recrutas sejam repassados em até 48 horas. Hoje, os procedimentos serão encaminhados ao Ciampa, Comando 1º Distrito Naval da Marinha e Secretaria Municipal de Saúde. Assim, esperam obter informações sobre o número real de recrutas infectados, as causas das internações e os resultados dos exames realizados.
“Causa estranheza o fato de a Marinha alegar que pode ser um surto de gripe, mas nenhum oficial ou suboficial do Ciampa foi internado”, observa Ordacgy. A Defensoria não descarta mover ações individuais na Justiça por danos morais e até ação civil pública contra a Marinha.
Marinha apura excessos
Ao menos 38 recrutas tiveram alta nesta segunda-feira à noite e voltaram para o quartel de Campo Grande, onde continuarão o curso. Victor Hugo Pereira, 19, que estava em estado grave, foi transferido para o quarto. Já Leonardo Gama Rodrigues, 22, segue sedado. “O médico disse que foi exercício excessivo”, voltou a afirmar a mãe de Victor, que pensa em desistir do curso.
A Marinha apura se houve excessos e o que causou insuficiência respiratória em parte do grupo de 637 alunos. Este não é o 1º problema no quartel. Em 2 de março de 2010, Adonai Santos da Costa, 19, morreu com insuficiência respiratória. “Ele era acordado com gás lacrimogêneo e teve que fazer 600 polichinelos por um repelente”, disse o padrasto, Ricardo Manhães.

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