Em Cabo Frio, a banalização do mal


" Esperamos que o leitor ainda tenha a capacidade de se indignar e de se mobilizar, pois não podemos simplesmente entender o crime e a impunidade como coisas banais. É chegado o momento de dar um basta a tudo isso!"
Por Alberto Castro Neto e Carlos Sepúlveda

         Ao longo de vinte e cinco edições do “Sombras no Paraíso” alertamos nossos leitores quanto a tudo que vem acontecendo com a nossa pobre cidade rica, graças à generosidade do blog que nos hospeda.
          Fomos incansáveis em chamar a atenção para a arrecadação bilionária nesses últimos sete anos, algo que ultrapassa a inimaginável cifra de R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões de reais) e a sua contrapartida pífia com desperdícios, má gestão financeira e outras coisas mais. Tudo rigorosamente demonstrado pelos extratos bancários do Banco do Brasil e outras fontes legítimas.
          Mostramos em diversas ocasiões as irregularidades e ilegalidades que vêm sendo praticadas impunemente em nossa cidade, fazendo-nos crer que todos os órgãos fiscalizadores têm certa desatenção com o nosso pequeno, mas rico rincão, para dizer o mínimo e o cauteloso. Tudo isto está perfeitamente representado no episódio obscuro do estacionamento, que é apenas uma pontinha brejeira do iceberg da corrupção.
          Alertamos para um futuro perdido diante de tanta iniquidade, nesta grande encenação tragicômica realizada por este simulacro de administração pública, que nos assombra pela hipocrisia, insensatez, insensibilidade e espantosa impunidade. A justiça aqui é como o governador Sérgio Cabral: uma fraude.
          A sensação que temos é a de que nosso litoral, com seu mar multicolorido, tenha sido invadido por aventureiros, verdadeiros bucaneiros de todos os nossos sonhos passados e presentes. A pirataria que assolou as costas de nossa cidade no século XVI repete-se agora.
          Hoje, o cabo-friense se move num labirinto teratológico, sem possibilidade de fuga, em que as desigualdades se acentuam com todos os seus odiosos aspectos! Até mesmo os declarados defensores desse grupelho,, que transformou o executivo numa baderna administrativa, se envergonham, mas não deixam de priorizar as suas conveniências pessoais em troca de um bem maior: a sobrevivência. Nós entendemos isso, mas a covardia é um animal de pernas curtas.
          Enquanto Deus nos der consciência e força, manteremos nossas posições, por esperança e crença numa sociedade mais justa. O útero materno não se escolhe. Nós, os signatários, não nascemos em Cabo Frio e nunca mantivemos com a cidade qualquer ligação que não seja a afetiva, mas, ao contrário de muitos aqui nascidos, não aceitamos que favores e benesses possam nos levar a fechar os olhos para tudo que aqui se deveria enxergar.
          Saramago augurava bom proveito àqueles com coração de ferro, pois o dele era de carne e sangrava todos os dias. Temos certeza de que o coração do cabo-friense não é de ferro e deve sangrar todos os dias, assim como os nossos, por tudo aquilo que estamos presenciando ao longo desses últimos anos. Deixamos nosso berço esplêndido de aposentados confortáveis para nos incomodar com tudo isso que aí está. Mas vale a pena.
           Não nos agrada ser a rã que vem sendo cozinhada lentamente e vai se habituando ao aumento da temperatura da água chegando a um momento em que não tem mais forças para reagir e pular fora do caldeirão. Vira um fritado de rã.
          Esperamos que o leitor ainda tenha a capacidade de se indignar e de se mobilizar, pois não podemos simplesmente entender o crime e a impunidade como coisas banais. É chegado o momento de dar um basta a tudo isso!
             Temos, no mínimo, o dever de respeitar aquela criança que uma vez fomos que é quando sonhamos com a justiça e a verdade,como ensinou Saramago e repete, lindamente, lá de Brasília, nosso querido  Dr. Marcelão.

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