Hoje na história


4 de agosto de 1994 - Morre o acadêmico Cyro dos Anjos

Jornal do Brasil, 5 de agosto de 1994.

"Para uso meu, particular, penso que certos sentimentos serão eternos, embora só se alastrem de modo cíclico, por ondas. Não duvido que o amor paixão, que de tão longe vem, acompanhe sempre o homem, mesmo quando a humanidade mude de planeta e carregue a sua trouxa pelo Cosmos". Cyro dos Anjos

O escritor Cyro dos Anjos, 88 anos, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) morreu no fim da madrugada de um xx em sua residência, devido a uma parada cardio-respiratória.Deixou uma curta e consistente obra - três romances, várias crônicas e volumes de memórias. Professor da Oficina de Letras da UFRJ, trabalhou até 1992, quando um derrame o obrigou a interromper suas atividades. No ano anterior, com a morte de sa esposa Lilita, disse ter perdido a razão de viver, confessando que não via a hora de novamente encontrar-se com ela.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista no mesmo dia, na presença de grande número de acadêmicos, entre eles Josué Montello - então presidente da ABL, Evaristo Moraes, Nélida Piñon, Barbosa Lima Sobrinho e Eduardo Portela. O escritor deixou seis filhos e 14 netos.

Cyro Versiani dos Anjos, mineiro de Rio Claro, nasceu em 5 de outubro de 1906. Foi na adolescência que deixou sua cidade natal e seguiu para Belo Horizonte, onde iniciou o curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais ainda nos anos 20. Enquanto estudava, viveu a primeira experiência profissional como escriturário. Mas logo foi contagiado pela paixão da imprensa. Desde então, passou a conciliar as duas atividades. Escreveu nos principais títulos da imprensa mineira - Diário da Tarde, Diário do Comércio, Diário da Manhã e Diário de Minas. Nesta época, conheceu Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura e João Alphonsus, a geração literária do Bar da Estrela. Formou-se em 1932, assumindo um cargo no gabinete do Secretario de Finanças de Minas Gerais onde atuou até 1945, quando mudou-se para o Rio, começando uma nova fase em sua vida.

Na então capital, foi nomeado em 1957 sub-chefe da Casa Civil da Presidência da República e em 1960, ministro do tribunal de Contas. Com a transferência da capital para Brasília, para lá também seguiu, sendo um dos fundadores da universidade federal.

Na literatura, sua primeira publicação foi o romance O amanuense Belmiro (1937), com uma calorosa acolhida do público. A obra foi construída das anotações de um diário, o autor se mostra de inteligência aguda e coração lírico. O estilo harmonioso e tranquilo, revela a grande influência machadiana. O segundo romance Abdias (1945) não teve a mesma projeção do primeiro. A retomada veio com o terceiro Montanha (1956), definido por Otto Maria Carpeaux:" Um exemplo de técnica literária inteiramente renovada, revelando as grandes qualidades do escritor.

Eleito para a ABL em 1º de abril de 1969, na cadeira de número 24, deixada por Manuel Bandeira, foi empossado no dia 21 de outubro, sendo recebdio por Aurélio BUarque de Holanda, que fez uma bela análise de sua obra ficcional. Niguém como Cyro descreveu as sutilezas dos grupos que existiam na Belo Horizonte entre os anos 30 e 50. 

Comentários