Instrutor e aluna sobrevivem a queda de 340 metros


Dupla escapou ilesa de acidente de asa-delta

Por Francisco Edson Alves
Imagine duas pessoas despencando de 340 metros de altura — o equivalente a um prédio de 113 andares —, sem sofrer um arranhão sequer. Foi o que aconteceu com o piloto-instrutor de asa-delta Elias Nunes da Fonseca, 49 anos, durante voo duplo com aluna, sábado, em Niterói. A queda, que durou 30 segundos, foi provocada pela abertura involuntária do paraquedas de emergência, cinco minutos e meio depois de eles pularem da rampa do Morro da Viração, no Parque da Cidade. O incidente gerou cenas impressionantes, filmadas por câmera instalada no equipamento.


As imagens mostram em 11 minutos e 46 segundos todo o drama da dupla, que caiu a 3,5 metros por segundo, em meio a um matagal, a 300 metros de distância do ponto de partida.
Após o pouso, o instrutor faz contato por celular e avisa aos companheiros que ficaram na rampa: “Tudo na paz, pousamos tranquilos”, arrancando sorriso da aluna, que também disse não ter sofrido nada. “Por incrível que pareça, a única coisa que nos incomodou foram picadas de mosquitos”, lembrou ele..
Fotos: Reprodução de vídeo e Paulo Araújo / Agência O Dia
O instrutor Elias e a aluna pulam na rampa e, no fim da queda, sorriem aliviados: dupla despencou a uma velocidade de 3,5 metros por segundo | Fotos: Reprodução de vídeo e Paulo Araújo / Agência O Dia

Segundo Elias, que voa de asa-delta há 24 anos, a falha de uma das travas da bolsa do paraquedas provocou a situação. “A calma, o material que usamos, o clima e o treinamento nos ajudaram”, ponderou.

Imagens serão transformadas em vídeo-aula

Elias conta que a tranquilidade da aluna, que conseguiu fazer os movimentos indicados por ele, foi fundamental para que o incidente não terminasse em tragédia: “Dou nota 11 para ela”.
Ele pretende usar as imagens como vídeo-aula: “Serve como lição em termos de segurança e como se portar diante de emergência”. Em 24 anos, o instrutor conta que já caiu cinco vezes de asa-delta: “Em todas estava sozinho. O pior susto foi há 5 anos, quando minha asa quebrou e caí no mar, a 270 m da Praia de Piratininga. Esses acidentes só me fizeram crescer em termos de aprendizagem”.

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