MST ocupa Ministério da Fazenda e pede pressa na reforma agrária


Manifestações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas, que acontece em 22 Estados


MST
Wilson Dias/ABr


Cerca de 4.000 trabalhadores sem-terra ocuparam no começo da manhã desta terça-feira (23) o Ministério da Fazenda, em Brasília. Os agricultores saíram em marcha do Estádio Nilson Nelson, no centro da cidade, em direção ao ministério. Eles reivindicam que o governo acelere a reforma agrária e dê prioridade aos agricultores atingidos por barragens, enchentes e chuva.
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) quer uma resposta à questão das dívidas dos pequenos agricultores, avaliadas em cerca de R$ 30 bilhões. Também cobra o fim da previsão de corte de aproximadamente R$ 65 milhões nos investimentos em reforma agrária no país este ano. Os trabalhadores estão acampados em Brasília desde ontem, e o mesmo movimento é realizado em mais 22 Estados e faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária.
As informações são da assessoria de imprensa do MST. Não há uma previsão sobre o tempo que os trabalhadores ficarão no Ministério da Fazenda, mas a expectativa, segundo a assessoria, é que passem o dia no local.
Os 2.500 funcionários que trabalham na sede do Ministério da Fazenda e no prédio anexo, onde ficam unidades do Tesouro Nacional e da Receita Federal, não conseguem ter acesso a esses locais. O ministro Guido Mantega tem audiência no Senado e deve ir direto para o Congresso.

Números da reforma agrária


O último levantamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que analisa os números de 2003 a 2010, mostra que a área incorporada ao programa de reforma agrária saltou de 21,1 milhões de hectares de terras, de 1995 a 2002, para 48,3 milhões, registrando aumento de 129%.
Pelo levantamento, o número de famílias beneficiadas também aumentou ao longo de oito anos, chegando às atuais 614.093. No mesmo período, foram criados 3.551 assentamentos. Atualmente, o Brasil conta com 85,8 milhões de hectares incorporados à reforma agrária, 8.763 assentamentos atendidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde vivem 924.263 famílias.
De acordo com o Incra, a aquisição de áreas pelo instituto ocorreu por meio de desapropriação, compra direta para implantação de assentamentos de trabalhadores rurais e por meios não onerosos, como a destinação de terras públicas e o reconhecimento de territórios.

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