Nome de juíza estava em 'lista negra' de grupo de extermínio com mais 11 pessoas


Considerada uma das juízas mais importantes do Estado, Patrícia Lourival Acioli estava em uma 'lista negra' com outros 11 nomes marcados para morrer. O papel foi encontrado com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro deste ano em Guarapari (ES). O criminoso é considerado chefe do grupo de extermínio investigado por pelo menos 15 mortes em São Gonçalo nos últimos três anos. A magistrada foi assassinada nesta quinta, na porta de casa, no bairro de Piratininga, Região Oceânica de Niterói.


Juíza linha dura
Segundo o primo, o jornalista Humberto Nascimento, a juíza tinha o perfil "linha dura". "Ela era considerada 'martelo pesado' como se chama. Sempre com condenações em pena máxima. Condenou gente ligada a máfia do óleo, máfia das vans, milícia de São Gonçalo que estava crescendo absurdamente, policiais envolvidos com desvio, corrupção e tráfico de drogas. Há cerca de três, quatro anos, ela teve a segurança retirada por ordem do presidente do Tribunal de Justiça do Rio da época", afirmou Nascimento, se referindo ao atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), Luiz Zveiter.

Patrícia Acioli tinha 47 anos e era conhecida por seu rigor contra grupos de extermínios formados por PMs | Foto: Reprodução Internet

Ainda segundo ele, a prima sempre recebeu ameaças de todo tipo de criminosos, grupos de extermínio e traficantes que atuam em São Gonçalo, Região Metropolitana. As últimas, porém, eram relativas a milícias que atuam no município. De acordo com Humberto, a juíza participaria na próxima semana de um julgamento importante envolvendo milicianos.

Patrícia Acioli foi a responsável pela prisão de quatro cabos da Polícia Militar e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio no município de São Gonçalo. A quadrilha sequestrava e matava traficantes para depois pedir resgates de R$ 5 mil a R$ 30 mil a comparsas e parentes das vítimas.

A magistrada também decretou em janeiro deste ano a prisão preventiva de seis policiais acusados de forjar auto de resistência na cidade. No início da semana, Patrícia Acioli condenou a um ano e quatro meses de prisão, por homicídio culposo, o tenente da PM Carlos Henrique Figueiredo Pereira, 32, pela morte do estudante Oldemar Pablo Escola de Faria, na época com 17 anos. Ele foi baleado na cabeça na boate Aldeia Velha, no bairro Zé Garoto, em São Gonçalo, em setembro de 2008.

O crime

Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Ao menos 16 tiros foram disparados na direção do carro da juíza | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Segundo testemunhas, o ataque foi feito por homens encapuzados em duas motos e dois carros, por volta das 23h30 desta quinta-feira. Pelo menos 16 tiros de pistolas calibres 40 e 45 foram disparados contra o Fiat Idea Weekend cinza, quando a magistrada chegava em casa. Todos atingiram o lado da motorista, sendo oito diretamente no vidro. As balas acertaram principalmente a cabeça e tórax da vítima. Imagens do sistema de segurança da região estão sendo analisadas pela Delegacia de Homicídios (DH) do Rio, que assumiu o caso. O enterro da juíza foi marcado para as 16h30 no Cemitério Maruí Grande, no Barreto, em Niterói.

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