Cabral, enfim, admite sucateamento e falha na gestão dos bondes de Santa Teresa

Governador do Rio falou pela primeira vez sobre o acidente ocorrido no sábado e descobriu o óbvio: "Me parece que houve problema de gerência"
Diante do oitavo homem mais rico do mundo, o empresário Eike Batista, Sérgio Cabral admitiu o óbvio: houve um problema de gestão nos bondes de Santa Teresa Diante do oitavo homem mais rico do mundo, o empresário Eike Batista, Sérgio Cabral admitiu o óbvio: houve um problema de gestão nos bondes de Santa Teresa (Carlos Magno/Divulgação-Governo do Estado do Rio de Janeiro)

O governador Sérgio Cabral falou pela primeira vez, na manhã de ontem (31), sobre a tragédia no bonde de Santa Teresa, ocorrida no sábado. Depois das mal sucedidas tentativas de atribuir o problema à conduta do maquinista e à superlotação, iniciadas pelo secretário de Transportes Júlio Lopes, o governador adotou discurso bem distinto. Admitiu, finalmente, o “sucateamento” e “problema de gerência” – algo que a população do bairro e os usuários do bonde denunciam há uma década.


A estratégia parece ser a de estabelecer dois momentos para a reação do governo do estado à crise dos bondes. No primeiro momento, quem descarrilou com a composição foi Júlio Lopes. No segundo ato – pelo menos publicamente – entrou em cena o governador, com um novo “homem de confiança”, o interventor Rogério Onofre, presidente do Detro, a quem é atribuída a contenção de outra crise nesse setor: as turbulentas relações entre o estado e os motoristas, cooperativas e máfias do transporte alternativo, que controlam as vans.

Formalmente, os bondes de Santa Teresa não estão mais sob o guarda-chuva da Secretaria de Transportes e de Júlio Lopes. Mas não é possível desconsiderar que, antes e depois, os bondes são, há quase cinco anos, um problema de gestão de Sérgio Cabral.

"Não vou me precipitar, já ouvi muitas opiniões a respeito. Estou colocando o Rogério Onofre para me dar um diagnóstico verdadeiro, para relatar de fato quais são as condições para que possamos, juntos, com sociedade e autoridades, decidir o que queremos para o bonde de Santa Teresa", disse, como quem tomou conhecimento do problema só depois das cinco mortes e dos quase 60 feridos – oficialmente, 57 vítimas foram atendidas em hospitais, mas há mais gente reclamando lesões causadas pelo tombamento do bonde número 10.

"A verdade é que é a frota dos bondinhos é uma frota sucateada. É uma frota onde foram reformados alguns bondes e outros não. A verdade também é que não há controle de passageiros", afirmou, admitindo outro problema de gestão do sistema. "Que ele (o bonde) não é um transporte de massa, não é. Que há um descontrole na entrada (de passageiros) há. Havia um excesso de passageiros absurdo na hora da tragédia", disse o governador.
Perguntado três vezes se irá manter no cargo o atual secretário de Transportes, Júlio Lopes, Cabral optou por não responder. O governador afirmou que não faltaram investimentos no sistema. "Foram 14 milhões de reais em investimentos para a recuperação de bondes e trilhos, isso foi feito. Mas me parece que houve problema de gerência", afirmou.
Ele lamentou o acidente: "Nossa manifestação de consternação e solidariedade aos familiares e vítimas dessa situação. O Estado se coloca à disposição e não vai fugir das duas responsabilidades", disse.
(Com Agência Estado)

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