Como era e como ficou o mundo depois do 11 de Setembro


Por Ludmila Vilar

LAURA versus MICHELLE

Editora Globo
Sai Laura Bush, a moça texana loira de olhos azuis, republicana, filha da classe média americana. Entra uma negra, democrata, filha de uma família da classe média baixa de Chicago, cujos ascendentes foram escravos na Carolina do Sul. Michelle Obama tornou-se a inspiração de muitas mulheres desde o primeiro dia do governo de seu marido. Já no dia da posse, Michelle quebrou a tradição de se usar azul, branco ou vermelho (as cores da bandeira americana). E o conjunto de vestido e sobretudo amarelos foi imediatamente copiado pelas lojas de departamentos e sumiu das araras em poucas horas. Ao comentar o look, a estilista responsável pela roupa de Michelle, a americana descendente de cubanos Isabel Toledo, disse ao "The New York Times" que “queria uma cor muito otimista, que tivesse a luz do sol”. Otimismo era tudo que os Estados Unidos precisavam depois de quase afundarem na maior crise econômica depois da Depressão de 29.
Michelle e Laura Bush, casada com o ex-presidente George W. Bush há 34 anos, têm, no entanto, mais do que o posto de primeira-dama em comum. Ambas são, respectivamente, a segunda e a terceira mulher de um presidente a ter pós-graduação – antes delas somente Hillary Clinton tinha alcançado esse nível de escolaridade. Tanto Michelle quanto Laura sabem cativar a popularidade com os americanos. Apesar do governo de George W. Bush ter visto seu índice de aprovação chegar aos 37% um ano antes do fim de seu segundo mandato, a admiração por Laura permaneceu acima dos 50%. Cada uma com sua trajetória, ambas são duas típicas mulheres da história americana.
AFEGÃS NA ESCOLA E NO TRABALHO

Editora Globo

O Afeganistão continua sendo um dos países mais inseguros e a vida de suas mulheres ainda é uma das piores do mundo. Depois do ataques às Torres Gêmeas, o país se tornou o alvo número 1 da política anti-terrorista do governo Bush, que queria derrubar o governo extremista dos Talebãs, apoiador de Osama Bin Laden e da Al Qaeda. Entre os abusos cometidos por eles estava a proibição de mulheres irem à escola e de trabalharem, sob pena de ser apedrejada. Com a invasão das tropas americanas, o governo dos Talebãs caiu e, pelo menos oficialmente, as mulheres puderam voltar a freqüentar a escola e a trabalhar. A burca também deixou de ser obrigatória, mas ainda é um símbolo muito forte entre as afegãs. A brutalidade dos talebãs também continua firme na vida do país, mas agora eles atuam como guerrilha, não mais como governo. (Na foto, a atriz Angelina Jolie mostra material de ensino a meninas afegãs).
ERA RAMBO, AGORA É JACK BOUER

Editora Globo

O brutamontes vivido por Sylvester Stalloneno cinema e na TV ficou conhecido comoRambo. Na história, ele foi enviado ao sudeste asiático, onde lutaria contra os soldados de Ho Chi Minh, o líder comunista do Vietnã do Norte. De volta aos Estados Unidos nos anos 70, após o fim da guerra, Rambo sente-se alvo de preconceito por parte de uma sociedade que vive a onda do movimento hippie e o acusam entre outras coisas de ser “um matador de bebês”. Enraivecido, Rambo resolve fazer justiça com as próprias mãos (e armas) contra tudo que ele considera ameaçador.
O personagem fez muito sucesso na década de 80, mas foi tão marcante e simbólico (nessa época o mundo vivia o auge da guerra fria, período marcado pela tensão estabelecida entre o bloco capitalista, liderado pelos EUA, e o comunista, capitaneado pela Rússia) que muitos anos depois ele ainda era identificado como sinônimo de força bruta. Exatamente três semanas após os atentados de 11 de setembro de 2001 um novo “herói” entrou em cena na televisão americana. Jack Bouer, o personagem central da série "24 Horas", protagonizada por Kiefer Sutherland, é um agente de segurança do governo americano que usa de qualquer método na sua luta contra o terrorismo. A série já estava sendo produzida quando os atentados aconteceram. Seus produtores não desconfiaram como a trama encarnaria tão bem o espírito dos tempos pós-11 de Setembro.
OS ESTADOS UNIDOS SÃO A NOVA ARGENTINA?
Editora Globo
Não. Mas em 2001 o maior escândalo econômico do ano era a moratória, ou seja, o calote que o governo de Néstor Kirchner, da Argentina, estava anunciando a seus credores. Em 2011(após trilhões de dólares gastos em política anti-terrorista, o que influenciou na maior crise econômica dos Estados Unidos desde a depressão de 29), o maior temor econômico mundial era que os americanos, com sua hoje fragilizada economia, anunciasse o calote a parte de seus credores. O presidente Obamaconseguiu articular um acordo no congresso americano para que isso não acontecesse. Nem o mais afiado economista imaginou esse cenário há dez anos.

NEW YORK, NEW YORK
Editora Globo
Em 2001, a cidade era, ó o clichê, o centro do mundo. Linda, rica, pujante, cheia de diversidade cultural, animada, dona do skyline mais absurdamente bem desenhado do mundo. Hoje, mesmo com toda a grande cicatriz no sul de Manhattan, Nova York continua linda, rica, pujante, cheia de diversidade, animada (mesmo que a vida noturna já tenha sido melhor) e seu skyline continua sendo absurdamente o mais bem desenhado do mundo. Paris e Londres, que me desculpem, mas a Big Apple (ainda bem!) se mantém fundamental.

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