Correios paralisam, mas consumidor tem como driblar multas de atrasos de contas


Procon orienta que clientes negociem com lojas e bancos para não atrasar seus pagamentos

correio-greve-tl-20110914

























Mauricio de Souza/Hoje em Dia
Mais de 80% dos 108 mil funcionários estão de braços cruzados no país; 60 mi de cartas deixarão de ser entregues por dia


Os funcionários dos Correios entraram em greve nesta quarta-feira (14), mas não é por isso que os consumidores vão deixar de pagar suas contas. Em vez de esperar que os boletos e faturas cheguem, atrasadas ou não, o consumidor deve se antecipar e ir atrás de negociar com lojas, bancos e outros credores para evitar pagar multas sobre suas contas.
Funcionários da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) pararam em todos os Estados. A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares) afirma que 34 de seus 35 sindicatos regionais pararam.
A associação diz que mais de 80% dos 108 mil funcionários dos Correios estão de braços cruzados em todo o país, na avaliação de José Gonçalves de Almeida, o Jacó, diretor da Fetcesp e membro do comando de negociação. Isso significa que devem deixar de circular pouco mais de 60 milhões de correspondências por dia.


Patricia Petrilli, supervisora de serviços essenciais do Procon-SP, diz que os clientes que se sentirem lesados devem procurar os órgãos de defesa, mas que não é recomendável ficar esperando as contas chegarem, porque elas podem nunca chegar.
- O consumidor não pode ser onerado [pela greve dos Correios] porque é uma situação que não depende dos consumidores. A gente orienta que se o consumidor já sabe qual é a data de vencimento, ele se antecipe e procure outra forma de efetuar o pagamento para não ter problema. Ele tem que tentar conversar, ir até a loja ou ao banco.
Ela diz que as empresas que enviam as cobranças por correspondência postal são obrigadas a oferecer outra forma de pagamento que seja viável ao consumidor, seja ela um boleto pela internet, por fax, por depósito bancário, entre outras. As credoras devem, inclusive, divulgar amplamente as alternativas disponíveis.
A paralisação deve durar por tempo indeterminado, segundo a Fentect. A associação considerou “insatisfatória” a proposta de reajuste e atualização dos benefícios dos funcionários oferecida pela ECT.
Os Correios ofereceram reajuste de 6,87% aos salários dos funcionários para o período de 1º de agosto de 2010 a 31 de julho passado. Os sindicatos exigiam um aumento de 7,16% e mais 24,76% referentes a uma reposição de perdas salariais dos anos de 1994 e 2002.
Pela proposta do empregador, o vale-alimentação passaria de R$ 23 para R$ 24,50. A cesta básica iria de R$ 130 para R$ 138. O auxílio para filhos e dependentes iria de R$ 571,74 para R$ 611. Mas os sindicatos queriam valores maiores, como a cesta básica de R$ 200.
A Fetcesp diz ainda que exige uma política de atualização do piso da categoria. Quem entra na empresa começa ganhando R$ 807. Eles querem que esse salário, que é pago tanto para carteiros quanto atendentes e profissionais da área administrativa, suba para R$ 1.635.
Jacó diz que não há prazo para a greve acabar.
- Temos a estimativa de que mais de 80% dos funcionários [tenham parado] em todos os Estados. Queremos que o piso passe de R$ 807 para mais de R$ 1.600. O piso de hoje é muito baixo, menos de 1,5 salário mínimo.

Ele diz ainda que a empresa deve contratar mais gente.
- Os Correios passam por um problema de falta de funcionários. A empresa tem um déficit de 30 mil empregados, mas os correios estão contratando só 10 mil neste ano para repor quem saiu ou se aposentou. Os que trabalham hoje não dão conta do serviço.

Comentários