Greve atinge 70% dos Correios e contas devem atrasar; veja como fugir das multas


Brasileiro deve procurar empresas, achar opção de pagamento e fugir de multa e juros
Raphael Hakime
Correios greve - 700 x 500
Com a adesão de parte do setor de tecnologia, a greve dos Correios já atingiu sete em cada dez funcionários em todo o Brasil nesta sexta-feira (16). A empresa até organizou uma força-tarefa para agilizar as entregas, mas a possibilidade de as correspondências – e as contas - chegarem com atraso existe, é grande e quem vai arcar com as multas e juros são os consumidores. 
A paralisação, iniciada na última terça-feira (13), não tem prazo para terminar, segundo José Gonçalves de Almeida, o Jacó, diretor da Fetcesp (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares). Segundo ele, até agora, “ mais de 45 milhões de correspondências por dia deixam de ser entregues”. 
- A greve continua e não há previsão de uma reunião com o governo. Na segunda-feira (19), vamos fazer um protesto em frente ao Ministério das Comunicações para pressionar o Paulo Bernardo [ministro das Comunicações] a nos receber e começar a negociação, já que, até o momento, não teve qualquer processo de abertura por parte do governo. 
Para evitar dores de cabeça com multas e juros, o brasileiro que recebe contas em casa deve procurar as empresas prestadoras de serviço – distribuidoras de água, luz, empresa de telefonia, entre outros – para negociar uma forma alterna de receber a fatura ou renegociar o prazo para pagamento, de acordo com órgãos de defesa do consumidor ouvidos pelo R7. 
O advogado da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), Thiago Azevedo, afirma que “o consumidor não vai ficar isento de pagar os encargos, como juros e multa, caso a fatura chegue atrasada”. 
- Recomendamos que os consumidores fiquem atentos às datas das cobranças e, principalmente os que já sabem as datas de vencimento das contas regulares - como energia, água, TV - já entre em contato com a empresa para ver um outro meio de pagamento. Por outro lado, a empresa deve divulgar alternativas para o consumidor pagar e fornecer uma segunda via da fatura, via fax, e-mail ou ainda outra forma de pagamento, como um depósito em conta

Essa forma alternativa de pagamento não pode sair do bolso do consumidor, segundo o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). A entidade afirma que “a emissão de uma nova fatura não pode ser cobrada, pois as despesas relacionadas ao processamento da fatura são de responsabilidade do fornecedor e não devem ser repassadas aos consumidores”. 
 Outra alternativa para escapar da cobrança de juros e multas em contas que chegarem com atraso é acertar com a empresa uma outra data-limite para pagar a dívida, explica Azevedo. 
- Caso o consumidor queira pagar, procure a empresa, mas ela não oferece alternativa, a gente entende que o prazo de vencimento deve ser prorrogado. Eles têm que dar uma alternativa viável para o consumidor porque ele tem o ônus de pagar. 

Se a empresa não der alternativa ou não quiser negociar uma prorrogação do vencimento, o consumidor deve acionar os órgãos de defesa do consumidor e reclamar da cobrança, segundo o advogado da Pro Teste. 
- A gente entende, nesse caso, que os valores poderão se contestados. É por isso que o consumidor tem que guardar qualquer informação de contato que ele tenha tido com a empresa para pagar ou negociar uma conta. 

Reivindicações 

Os funcionários dos Correios, por meio dos sindicatos, pedem aumento salarial de 7,16%, mais 24,76% referentes a uma reposição de perdas salariais dos anos de 1994 e 2002, além de cesta básica de R$ 200 e aumento do piso salarial de R$ 807 para R$ 1.635. 
Os Correios ofereceram reajuste de 6,87% aos salários dos funcionários para o período de 1º de agosto de 2010 a 31 de julho passado. Além disso, o vale-alimentação passaria de R$ 23 para R$ 24,50 e a cesta básica iria subiria de R$ 130 para R$ 138. O auxílio para filhos e dependentes iria de R$ 571,74 para R$ 611. 

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