Nas ruas da Cidade do Rock, os bandidos se esbaldaram


Da Rock Street à fila do gargarejo, inúmeras pessoas tiveram pertences furtados

Leo Pinheiro, da Cidade do RockHouve casos de furto até perto do palcoHouve casos de furto até perto do palco (Wagner Meier/Fotoarena)
Se a Cidade do Rock foi criada com a pretensão de ter tudo que uma grande metrópole tem, o objetivo foi alcançado. O trânsito caótico para chegar ao local dos shows de Katy Perry, Elton John e Rihanna foi apenas o indício do que ainda estava por vir durante a noite de estreia do festival. Antes mesmo da abertura dos portões, várias fãs tiveram seus pertences furtados ainda na fila. E, após as catracas serem liberadas, a sensação de insegurança só piorou dentro dos 150.000 metros quadrados da área privativa. Novidade entre as quatro edições do Rock in Rio, a Rock Street - uma rua de 160 metros de comprimento, com cenografia imitando a arquitetura das avenidas de Nova Orleans - foi o point preferido dos ladrões, conta o advogado Felipe Monerat, de 28 anos, vítima de um dos mais de 50 furtos ocorridos no local. "Quando percebi que tinha sido roubado, entre a roda gigante e a Rock Street, avisei ao segurança, que falou que o mesmo aconteceu com mais de 20 pessoas naquele mesmo ponto", disse ele, em frente ao container da delegacia itinerante, que foi montada na porta da Cidade do Rock.


Contudo, os furtos não ficaram restritos à Rock Street. Em todos os lugares com maior concentração de pessoas por metro quadrado, como portas das lanchonetes e a fila do gargarejo, os ladrões aproveitavam para subtrair objetos dos fãs sem serem percebidos. Fernanda Marques, de 33 anos, diz que conseguiu reparar quando a sua bolsa foi aberta enquanto esperava para pedir seu lanche. "Olhei para trás e vi uma mulher baixinha abrindo a minha mochila e pegando a minha máquina fotográfica. Gritei na hora e ainda tentei chamar a segurança, mas ela desapareceu na multidão", lembra. Assim como a maioria das pessoas que estava prestando queixa na delegacia, Fernanda reclamou do número reduzido de seguranças no evento. "Nos pontos em que a gente percebe que precisam de reforço de vigilância, até para não haver brigas, não se tem o mínimo de seguranças. Parece que não foi contratado o número necessário. Olha o tamanho deste lugar!", esbravejou.
Taísa Coelho, de 22 anos, conseguiu ser socorrida pelos vigilantes patrimoniais do evento, mas não se pode dizer que a jovem estava com sorte. Ela e o amigo Felipe Reis, da mesma idade, reagiram a um assalto que sofreram próximo ao palco, durante o show de Katy Perry. "Eu estava com o meu celular na mão, e ele veio para cima de mim e gritou: 'Perdeu malandra'. Ele meteu a mão e passou para o comparsa dele", falou, aos prantos, enquanto apontava para os dois criminosos presos em flagrante. Todos foram levados para a 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio do Bandeirantes, para fazer o registro de ocorrência. Segundo o delegado, Orlando Zacone, destacado especialmente para a noite de abertura do festival, o expediente foi adotado pela Polícia Civil, para dar vazão ao alto número de queixas no local. "Eu só tenho três terminais de computador aqui, que estão sendo usados para registrar os casos de flagrante. Tivemos inúmeros casos de furto, prisão de cambistas e estelionatários que estavam vendendo ingressos falsos. Não vou conseguir acompanhar todas as ocorrências do início ao fim aqui, com o efetivo pessoal e de equipamento que me foi disponibilizado", justificou.
Conforme a inspetora de polícia Fernanda, até às 2 horas já haviam sido atendidas mais de 200 pessoas na delegacia volante. Por conta da alta demanda, a orientação dada às vítimas era de que procurassem a 42ª DP ou deixassem para fazer o registro de ocorrência no dia seguinte. "Aqui, fazemos um registro de extravio de documentos, para que as vítimas não sejam responsabilizadas por possíveis delitos cometidos por quem roubou suas carteiras com documentos. As pessoas já estão cansadas e abaladas, e esperar aqui pode agravar ainda mais o estado de tensão delas. É claro que quem fizer questão de prestar queixa aqui será atendido, mas não posso garantir que será antes das 4 horas", explicou a policial, apontando para a fila de mais de 40 pessoas que se formava no local àquela altura.

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