No Rio, bombeiros presos conseguem liberdade e são soltos


Defensoria Pública obteve habeas corpus durante a madrugada

foram soltos na madrugada desta quinta-feira (15) após a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro obter a liberdade (habeas corpus) dos dois bombeiros. Eles foram detidos na madrugada de quarta-feira (14) no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na zona sul do Rio.  A liminar foi deferida pelo plantão noturno do Tribunal de Justiça.

No requerimento, os defensores Luis Felipe Drummond e Daniel Lozoya afirmam que as prisões dos dois foram ilegais, já que os militares foram detidos apenas porque, em tese, teriam praticado o crime militar de recusa a obediência, por terem “recusado a se afastar das proximidades do Palácio Guanabara”, ordem que violaria os direitos constitucionais de ir e vir e o direito de reunião.
Os bombeiros estavam presos no Grupamento Especial Prisional dos Bombeiros, em São Cristovão, zona norte da cidade.
Segundo Cristiane Daciolo, mulher do cabo Daciolo, o marido foi para o Hospital do Corpo de Bombeiros, no Rio Comprido, zona norte, para fazer uma tomografia, pois está com pedra no rim. De acordo com Cristiane, após os exames, ele vai se juntar aos manifestantes na escadaria da Alerj, no Centro do Rio.
Manifestação
Bombeiros que se reúnem nesta quarta-feira (14) na escadaria da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) consideram um ato de covardia as prisões de Daciolo e de Marquesini.
Os dois presos são líderes dos movimentos por melhores condições de trabalho para a categoria. Para o cabo Baltar, a prisão foi uma emboscada por parte do governo do Estado.
- Foi uma covardia. O governo prendeu os dois depois que concordamos em tirar a manifestação da frente do palácio para que fosse possível a negociação com os líderes. No entanto, eles deram voz de prisão. Não faz sentido, a questão da desobediência. Ninguém pode dizer que não podemos ficar na calçada.
Reivindicações
As reivindicações dos bombeiros são as mesmas desde abril, quando mais de 400 homens da corporação invadiram o Quartel Central. Eles querem piso salarial de R$ 2.000 líquidos, fim das gratificações e auxílio transporte em valor que atenda a real necessidade de deslocamento e para todos os militares.
Em entrevista à Rede Record, o cabo Pedro Ivo, acampado há duas semanas na escadaria da Alerj, diz que espera respeito para categoria pelo governo. Ele afirma que quer continuar a trabalhar como bombeiro, mas também precisa sustentar a sua família.
- Como eu vou salvar a vida de terceiros, se eu não salvo a minha família? Estamos passando por uma vergonha, estamos sendo humilhados. Nosso movimento é pacífico.   
Segundo a Defesa Civil, em relação ao aumento salarial, o governo já ofereceu o máximo dentro da responsabilidade orçamentária. A gratificação de R$ 350 mensais foi concedida a partir de agosto para 10.143 bombeiros. O governo também antecipou de dezembro para julho os seis meses de reajustes salariais, chegando a 5,58%. Somados aos reajustes de janeiro a junho deste ano, a faixa salarial de um soldado que completar o triênio (em outubro) chegará a R$ 1.935,00.
A partir de 1º de setembro, passou a valer para 11.512 bombeiros o benefício do auxílio-transporte, por meio do Riocard, no valor de R$ 100 mensais. O Riocard leva em conta a escala de trabalho dos bombeiros-militares – 24h por 72h – o que consiste numa média de 8 serviços diários por mês.
Invasão do Quartel
Cerca de 2.000 bombeiros acompanhados de mulheres e crianças iniciaram uma manifestação na tarde de 3 de junho, em frente à Alerj, por melhores salários e condições de trabalho. Por volta das 20h, eles ocuparam o Quartel Central e passaram toda a madrugada lá.
Às 6h do dia 4 de junho, a Polícia Militar invadiu o local. Algumas pessoas tiveram ferimentos leves. Mais de 400 bombeiros foram presos.
Visivelmente irritado, o governador Sérgio Cabral exonerou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros e disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis".
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou, no dia 22 de junho, projeto de lei que anistia os bombeiros do Rio punidos pelo governo do Estado.

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